Apenas médico?


A medicina chinesa é a prática de um conjunto de ações milenares, fundamentadas numa estrutura teórica sistemática e abrangente, de natureza filosófica, regida por leis governadas pelos ciclos da natureza.

Essa visão e aplicação da medicina é totalmente oposta dos métodos de diagnóstico e profilaxia (a aplicação de meios tendentes a evitar as doenças ou a sua propagação), ocidentais.

A acupuntura está dentro dessa perspectiva, da medicina chinesa. Desde 1979, Em 1979, a Organização Mundial de Saúde (OMS) comprovou a eficácia dessa prática e editou uma lista com 41 doenças que apresentaram excelentes resultados com o tratamento.

Ela é considerada um remédio muito eficaz para aliviar a dor e possui muitos benefícios. Ao introduzir agulhas na pele, o corpo gera endorfinas que contribuem a apaziguar a dor. A melhoria costuma notar-se depois da primeira sessão. A técnica é indolor e só se sente uma ligeira cócega na região onde as agulhas são introduzidas.
No Brasil, desde 2001 se arrasta uma polêmica denominada “Lei do Ato Médico”, que define quais são as atividades exclusivas dos médicos que só podem ser realizadas por eles, ou com sua autorização. A proposta que está em análise não faz referência explícita à acupuntura, porém, a proibição que era é indireta recebeu proporções diretas.

Na última semana, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu que a acupuntura somente poderá ser exercida por médicos, pois o Conselho Federal de Medicina argumenta que somente médicos podem fazer diagnóstico e tratamento.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina do estado de Goiás, Salomão Rodrigues, essa decisão foi o reconhecimento do poder Judiciário, que o diagnóstico de doenças e a prescrição terapêutica para é um ato privativo do médico. “A acupuntura é amplamente praticada no ocidente somente por médicos, apenas no Brasil que isso não ocorre, aqui, até mesmo advogados, não há limitação”, defende.
Ele ainda destaca que a acupuntura é um método terapêutico e só pode ser aplicado quando se tem um diagnóstico de uma doença, isso é privativo do médico e outros profissionais da saúde não podem fazer.

Já o fisioterapeuta e professor de acupuntura, Raphael Lobo, que há quatro anos trabalha com técnicas da medicina chinesa discorda da decisão e dos argumentos utilizados pelo Conselho de Medicina. “A única diferença entre os profissionais é a formação por áreas, no Brasil todos frequentam a mesma sala de especialização, com a mesma carga horária e conteúdo, já que nas universidades não existe a matéria exclusiva de acupuntura”, explica.

Ele também revela que os conceitos medicinais orientais e ocidentais são totalmente contrários. “Independente da graduação da pessoa, uma coisa é totalmente desvinculada da outra, a medicina tradicional chinesa tem um embasamento filosófico e em outros princípios que não são os nossos. O médico tem a capacidade de dar um diagnóstico clínico, diferente do fisioterapeuta que dá um diagnóstico cinético- funcional, que é diferente do acupunturista, que diagnostica baseado nos canais e funções energéticas do indivíduo, portanto são coisas desvinculadas”, defende.

Raphael disse que mesmo com a decisão judicial, os profissionais de outras áreas da saúde continuarão com as aplicações da acupuntura, pois ainda existe o recurso em mais duas instâncias, o que ainda deve demorar cerca de 20 anos para a conclusão final dessa polêmica.

Proteja-se do estelionato


Em novembro de 2011, um cliente em potencial comprou em cheque, R$ oito mil em cervejas, de uma rede de supermercados, em Anápolis. Muito simpático com as atendentes, ele as cativou com sua boa educação e suas histórias de uma vida mirabolante.

Outro dia ele voltou, comprou mais de R$ três mil, no mesmo item, contou mais histórias e fez mais gente sorrir, porém, quando o setor financeiro do supermercado depositou o cheque foi surpreendido com um rombo de quase R$ 12 mil. O cheque era roubado e o tal cliente em potencial, era na verdade um estelionatário que aplicava golpes em todo estado.

Segundo o Código Penal brasileiro o estelionato é enquadrado como crime econômico (Título II, Capítulo VI, Artigo 171), sendo definido como obter para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, astúcia ou qualquer outro meio fraudulento.

Parece um crime distante, algo Hollywoodiano, mas não é bem assim. De acordo com o titular do 6ºDP, delegado Manoel Vanderic, o estelionato é o campeão de ocorrências, não só em Anápolis, mas em todo o estado.

O delegado afirma que a maior incidência de estelionato acontece durante as transações comerciais, principalmente na utilização de cheques, roubados, fraudados ou sem fundo. “Os estelionatários, se utilizam da boa fé e da ingenuidade das pessoas para cometerem esses golpes e fraudes”, explica.

Como se proteger

Jerônimo (nome fictício) queria trocar o carro por um modelo mais novo. Ele encontrou um comprador interessando no veículo, que fez o pagamento em cheque. Empolgado com essa possibilidade e o carisma do comprador, ele efetuou a transferência do automóvel, antes de depositar o cheque. Porém ao tentar a quantia estabelecida, no banco foi informado que se tratava de um cheque roubado.

O delegado Manoel Vanderic diz que casos como o de Jerônimo podem ser evitados. “A polícia orienta que as pessoas antes de concluírem qualquer tipo de negócio busquem referência sobre o titular do cheque e as pessoas que negociam com amigos é preciso fazer o mesmo procedimento, hoje em dia tem que desconfiar até mesmo do irmão”, destaca.

Ele também alerta sobre a possibilidade de dinheiro fácil que é oferecida às pessoas e muitas vezes pode se tratar de um golpe. “Não existe dinheiro fácil, existe um padrão que se repete no estelionato, eles prometem dinheiro fácil a fim de lucrarem uma quantia a mais nos seus negócios, mais uma vez ressalto que é preciso pesquisar e buscar referências, antes de concluir qualquer tipo de transação comercial”, alerta.

Para maior segurança do vendedor, Vanderic ressalta que muitas vezes nas vendas com cheque, o estelionatário pode se utilizar de documentos falsos. De acordo com ele, antes de fechar um negócio é necessário fazer uma pesquisa nos órgãos expedidores e na Polícia Civi

Quem nunca sofreu por amor?


“Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha, e nem é meu este lugar
Estou só e não resisto, muito tenho prá falar” (Milton Nascimento- Travessia )


Eles se conheceram na escola, não era a intenção, mas se apaixonaram e resolveram se aventurar no mundo do amor. Ela foi para outro estado fazer medicina e ele ficou realizando o sonho de cursar jornalismo. O sentimento foi crescendo, as famílias ficaram amigas, o casal viajou várias vezes nas férias, resistiram à distância, amadureceram juntos, em fim, viveram momentos inesquecíveis.

Mas um dia as coisas pareceram não ter mais o sentido de antes. Perceberam que viviam metas diferentes, não estavam dispostos a mudar mais um pelo outro, queriam viver a vida de jovens, conviver com os amigos, sair sem ter hora pra voltar. Depois de refletir a por quase um ano, ele decidiu colocar um ponto final no relacionamento de três anos.

Ela chorou, ele também. Ele guarda há seis meses na estante um porta-retrato, com a foto dos dois. Já teve oportunidade de começar outros relacionamentos, mas alega que sempre procura as qualidades da ex, mesmo não querendo reatar. Ela ainda não conseguiu esquecer, mas está conhecendo outras pessoas.

Assim como esses dois jovens, quase todas as pessoas da sociedade ocidental (onde o casamento é uma escolha pessoal), já viveram o drama de um relacionamento rompido. A dor sempre estará lá, porém, a forma de vivê-la que encontra diversas formas de se manifestar.

O psicólogo Renato Souza explica que a dor advém do sentimento de perda de alguém e que as reações diversas acontecem de acordo com o nível dos relacionamentos e sentimentos. “Tudo depende do nível de sentimento que havia. A ruptura de alguém que amava e estava há muito tempo junto é bem diferente de outro que só viveu uma paixão momentânea, a maior dor das pessoas é de perder aquilo que o outro lhe oferecia de bom, o que na psicologia chamamos de reforçadores”, destaca.

Renato afirma que o sentimento é algo que não se escolhe, mas é preciso trabalhar a forma como é expresso, ele também ressalta que a angústia tanto de quem deixa, quanto de quem é deixado, advém das mudanças impostas por esta situação. “Toda mudança gera angústia. Quando existe uma mudança de casa, emprego ou cidade a ansiedade e angústia sempre aparecem, pois, algo diferente está por acontecer, assim ocorre com o fim dos relacionamentos, estar solteiro, se envolver com outra pessoa, ser deixado por alguém é uma nova situação, que gera medo do desconhecido”, pondera.

“Eu queria manter cada corte em carne viva
A minha dor em eterna exposição e sair nos jornais e na televisão
Só prá te enlouquecer até você me pedir perdão
Eu já ouvi 50 receitas prá te esquecer
Que só me lembram que nada vai resolver
Porque tudo, tudo me traz você
E eu já não tenho prá onde correr” (Leoni – 50 receitas)


Nádia começou namorar Fábio aos 18. Juntos há quatro anos, eles pensavam em casamento e já estavam com a data do noivado marcada para o aniversário dela. Estavam olhando apartamentos e acertando detalhes. Nádia sempre incentivou o namorado a estudar e ingressar em um curso superior, porém, quando isso aconteceu, Fábio conheceu outra pessoa e somando-se a um dia de desavença, que ela pediu um tempo, ele aproveitou o gancho para terminar o relacionamento definitivamente.

Passaram-se dois anos, e parece que a ferida continua aberta. Tudo lembra Fábio, as músicas, os restaurantes, as ruas, as datas comemorativas e mesmo que às vezes engate algum relacionamento, ela confessa que de noite chora de saudade do amor antigo.

Segundo Renato Souza, o fator de maior dificuldade para se superar uma separação é deixar pra trás as lembranças e a sensação de completude que o outro gerava. “Em muitos relacionamentos as pessoas ficam tão próximas e dependem tanto umas das outras, parece que elas perdem a capacidade de viverem sozinhas, a sensação é de ter sido roubada uma parte de si”, acredita.

Ele alerta que para esquecer alguém, o primeiro passo é partir do um desejo pessoal de cicatrizar a ferida aberta. “Mesmo doendo, mesmo com todo sofrimento é preciso tomar a decisão de superar, quanto maior o tempo que se demora para dar esse primeiro passo, mais tempo levará para a recuperação. Quando alguém cultiva muito tempo esse sofrimento, talvez não queira acreditar que chegou ao fim, pois alimenta esse sentimento e não aceita essa mudança”, alerta.

De acordo com Souza, um bom começo para esse processo de retomada da vida é fugir dos estímulos que lembrem o ex, pois, quanto menos houver a exposição desses elementos, mais rápido pode-se esquecer, ou seja, deixar de ouvir a música que marcou o relacionamento, não freqüentar locais onde possa haver um encontro, ou simplesmente parar de fuçar no facebook em busca de notícias, podem ajudar na superação.

Mas como ninguém, é um computador, programado para agir sem sentimentos, a recaída é um fator normal nesse processo e contar com o apoio dos amigos e familiares, sempre é uma boa idéia. Eles vão ouvir os lamentos, as mágoas e incentivar a seguir por um caminho que muitas vezes é obscurecido por tantas experiências negativas.


10 mandamentos para quem quer retomar a vida após o fim de um relacionamento

A jornalista Fabrícia Hamu, é formada pela UFG e mestre em Relações Internacionais pela Université de Liège (Bélgica). Todas as semanas ela escreve uma coluna voltada para as mulheres no site da rede Record “A Redação”. Hoje, ela dá dicas a quem terminou um relacionamento e precisa se reerguer.
Dez dicas para recomeçar com o pé direito:

1- Quem acabou foi o relacionamento amoroso, não a sua vida. É claro que o lado afetivo conta muito, mas a vida de uma pessoa não se resume a ele. Lembre-se que para ter equilíbrio é importante investir no lado profissional, familiar e nos seus interesses pessoais;
2- Evite reler antigos e-mails, bilhetes, cartões, rever vídeos, filmes, fuçar nas redes sociais do outro, enfim, resista à tentação de remexer no passado. A ruptura, por si só, já é dolorosa. Dispense os requintes de crueldade;
3- Muitas pessoas tendem a se fechar quando estão num relacionamento amoroso, esquecendo dos amigos e até dos parentes. Se esse for o seu caso, não tenha vergonha e reative os contatos antigos. Procure essas pessoas, peça desculpas pela ausência e mostre que as quer de volta para o seu convívio;
4- Não generalize. Nem todo mundo trai, nem todo mundo mente compulsivamente, nem todo mundo é indeciso. As pessoas são diferentes e é justamente aí que está a graça da coisa. Abra-se para o novo e se surpreenda com a vida;
5- Invista em algum hobby ou curso do seu interesse. Pode ser um esporte, um curso de língua estrangeira, uma aula de dança, ou qualquer outra atividade que você gostar. É uma ótima oportunidade de fazer novos contatos e espairecer;
6- Viaje. Sempre e, de preferência, para destinos ainda não conhecidos. É uma ótima maneira de conhecer pessoas e culturas diferentes, expandir os horizontes e arejar as ideias;
7- Mude a rotina. Vá a bares, restaurantes, pubs e shows diferentes do que costumava frequentar com o parceiro. Permita-se vivenciar novas opções de diversão;
8- Reforce sua autoestima. Cuide da saúde, melhore sua aparência, cubra-se de elogios e de ações que possam incentivá-lo a se sentir bem e seguro. Não se esqueça que as pessoas o veem como você se vê;
9- Invista em autoconhecimento. Se você não tem claro o que espera de um parceiro e de um relacionamento, se não sabe ao certo o que lhe faz alegre nem triste, procure ajuda psicológica. Você é o único responsável pela sua felicidade;
10- Tudo começa na mente. Por isso, espante os pensamentos negativos e obsessivos. Pensamentos positivos geram sentimentos agradáveis e construtivos

O que a noite da Avenida JK não revela


Em novembro de 2011, um adolescente trouxe a grave denúncia de que em Anápolis existe uma suposta rede de tráfico de travestis advindos do Pará e Maranhão, muitos deles sem ao menos terem completado a maior idade. O menor indicou que havia sido aliciado em sua cidade natal no Pará, com a promessa de remodelar o corpo, através da aplicação de silicone e megahair (procedimento para alongar os cabelos), entre outros atributos.

Porém, ao chegar a Anápolis ele alegou que se deparou com uma realidade totalmente adversa da prometida, adquirindo dívidas que iam desde a passagem à hospedagem em uma casa que abrigava outros travestis.
Em novembro, ele conseguiu fugir e o caso vem sendo investigado por autoridades no Pará e Goiás.

Tal acontecimento levou na tarde da última quarta-feira (4), em uma ação conjunta entre o Grupo Especial de Repressão a Narcóticos (Genarc), Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) e Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) à prisão de Josiel Paulista Vieira, conhecido como Érica Cafetina e outros 15 travestis foram conduzidos à delegacia.

De acordo com a delegada titular do Depai-Dpca, Kênia Batista Dutra, Josiel é apontado como proprietário da casa que abriga os travestis, supostamente aliciados por ele. “Está comprovado que ele mantém a casa para abrigar os rapazes travestis, com intuito de estimulá-los à prática sexual a fim de obter vantagens com os programas”, destaca.

“Faltou maior apoio das autoridades de Goiás”, destaca delegada responsável pelo caso no Pará

A delegada Christiane Lobato, titular da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), em Belém no Pará, falou com exclusividade à Folha 670 revelando que desde novembro comunicou a autoridades como Ministério Público, Judiciário, Polícias Federal e Civil de Goiás sobre o caso. “Existe desde novembro a ocorrência de um adolescente tido como desaparecido, que conseguiu fugir, eu pedi apoio em Goiás, mas parece que não houve esforço, nós já tínhamos enviado desde aquela época, o endereço e o nome profissional de Josiel”, enfatiza.

Lobato ressalta que o possível tráfico de pessoas para utilizá-los como travestis em Anápolis é uma situação antiga, assim como o funcionamento da casa, localizada no Bairro Monte Sinai, nas proximidades da Base Aérea. “Não é possível que ninguém nunca tenha visto esse local e ainda mais com essa situação”, desacredita.

A delegada afirma que até hoje não havia um mandado de prisão contra Vieira, no Pará, por falta de materialidade, porém com a chegada do processo decorrente da prisão em Anápolis, a Data também representará por prisão preventiva.


Em busca do corpo, mas sem identidade


Segundo fontes ligadas ao Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico e Pessoas (Netp), em Goiás, travestis adolescentes e adultas são convidadas a “trabalhar”, em Anápolis com a promessa de receberem tratamentos estéticos, como silicone nos seios e glúteos, megahair e aplicação hormonal, que conseqüentemente lhes modelarão, trazendo características femininas e portanto, aumentam os lucros nos programas.

Christiane Lobato afirma que esses procedimentos custam caro para o travesti, uma vez que eles adquirem uma dívida duas vezes maior que o preço cobrado na aplicação, porém, o maior risco está na qualidade e procedência dos materiais estéticos principalmente o silicone.

De acordo com a delegada, na maioria das vezes é aplicado silicone industrial, usado em carros e lubrificação das peças de avião, podendo causar reações alérgicas, fibroses, necrose deformações severas no corpo e dificuldades para andar, além de mortes por infecção generalizada.

Dentro desta perspectiva, na casa onde foi feita a prisão de Josiel foram encontradas agulhas, que de acordo com os travestis, eram utilizadas para aplicação de silicone industrial.

Fatos como esse, ainda são denunciados por Lobato. “Mesmo com as consequências do uso desse produto, os travestis são obrigados a irem para a rua, elas são seduzidas pela mudança de corpo, mas a realidade é outra e se ao implantarem silicone industrial ficarem doentes, mesmo assim precisam trabalhar”, enfoca.

Senzalas invisíveis do século XXI

As autoridades em defesa das pessoas traficadas são unânimes, que o tráfico de mulheres (como já mostramos na edição 10) e travestis possui as mesmas características desde a abordagem, até nas práticas que mantém o explorado ligado ao explorador.

Essas mesmas autoridades revelam que as quadrilhas são perigosas, violentas, além de estarem livres na sociedade e envolvidas infimamente com outras contravenções como tráfico de drogas, armas, menores e mulheres, o que lhes leva a crer que possuem proteção de indivíduos influentes.
A delegada Christiane Lobato revela
que existe uma estrutura de vigilância diária e um esquema de escravidão por dívida, ou seja, ao chegar, o aliciado descobre que precisa ressarcir o cafetão, na passagem, despesas de moradia, alimentação, procedimentos estéticos e porcentagem dos programas, vivendo em regime de escravidão até quitar suas dívidas.

E da mesma forma como ocorre no tráfico de mulheres, os aliciadores de base, ou seja, aqueles que abordam os travestis com as propostas de mudanças de vida, corpo e condição monetária, são indivíduos de seu convívio. “As vítimas nunca vão assumir sua condição e denunciar, pois os aliciadores são pessoas que de alguma forma possuem algum vínculo, sabem onde elas moram e fazem ameaças”, explica a delegada.

Imputações

Josiel Paulista Vieira, responderá pelos crimes inafiançáveis de favorecimento à prostituição e rufianismo, que consiste na prática do agente tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar por qualquer pessoa, homem ou mulher, que exerça a prostituição, podendo ser condenado por até cinco anos de reclusão.

Os 15 travestis apreendidos serão ouvidos, terão antecedentes criminais pesquisados e posteriormente liberados. Embora no momento da abordagem não tenha sido encontrado nenhum menor, o próprio Vieira, confessou que em outras ocasiões a casa já recebeu as possíveis vítimas.

De acordo com a delegada Kênia Batista Dutra, a investigação que acontece no Pará, por tráfico de seres humanos pode influenciar em outras acusações em Anápolis, e que ela aguarda a documentação de Belém.

ONU alerta que 2,4 milhões de pessoas no mundo são vítimas de tráfico humano

Na última terça-feira (3), o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) informou que cerca de 2,4 milhões de pessoas no mundo foram vítimas de tráfico de seres humanos pelo menos uma vez.

O diretor executivo do Unodc, Yuri Fedotov, disse que em 17% dos casos as pessoas são submetidas a trabalhos forçados. De acordo com ele, uma em cada 100 vítimas do tráfico é resgatada. Ele apelou à comunidade internacional para que sejam tomadas medidas a fim de conter o avanço do tráfico de pessoas.

Página doce

























Feliz Páscoa!!!

A menina do vestido azul


“Enquanto passa preguiçosamente o tempo com sua irmã, Alice vê o Coelho Branco de colete, carregando um relógio de bolso. Supreendida segue-o até a toca do coelho e cai nele, revelando-lhe a sua longa profundidade como um poço e as suas paredes repletas de prateleiras cheias de objetos estranhos, quadros e de livros. Após uma aterisagem segura num átrio, Alice vê uma pequena mesa de vidro maciço e em cima dela havia uma pequena chave dourada. À procura de fechaduras correspondentes, descobre, atrás de uma cortina, a pequena porta e através desta Alice vê maravilhada um lindo jardim. No entanto, a porta é muito pequena para ela conseguir entrar. Mas devido a uma pequena garrafa com uma etiqueta BEBA-ME, Alice diminui de tamanho ao bebê-la”

Alice no País das Maravilhas, a obra mais célebre do inglês Lewis Caroll conta a história repleta de fantasia de uma menina que cai numa toca de coelho que a transporta para um lugar fantástico e mágico.

Nicole, uma Anapolina de seis anos, não conhece Alice, tampouco viveu em sua época, mas as duas têm em comum além da infância, a vida num mundo incompreensível para a maioria das pessoas. Ela é filha da jornalista Rita Maura Boarin, e desde que a menina completou um ano percebeu que algo estava diferente do desenvolvimento natural das crianças daquela idade.

Desde então, a pequena Nicole entrou na toca do coelho, e depois de uma peregrinação de dois anos, com diagnósticos imprecisos, dúvidas e angústias para tentar entender os motivos que levaram a criança a entrar numa dimensão tão diferente: o mundo do autismo.

Segundo, o Diagnóstico Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM), autismo é um tipo transtorno global do desenvolvimento, sem cura, que se manifesta em crianças até os três anos de idade e compromete aspectos físicos, psicológicos e sociais. Trata-se de um desenvolvimento acentuadamente comprometido em termos de interação social e comunicação, além de um repertório comportamental muito restrito de atividades e interesses.

De acordo com o médico psiquiatra César de Moraes, indicadores que o processo de desenvolvimento da criança não vai bem podem ocorrer antes dos seis meses de idade. Crianças que choram demais ou são vistas como muito quietas pelos pais, crianças que têm pouco contato visual, não mantêm posição antecipatória ou não prestam atenção aos eventos familiares principais podem estar apresentando sintomas iniciais da síndrome autista. As alterações no ritmo do desenvolvimento da criança também costumam ocorrer precocemente.

Na maioria das vezes o autismo se manifesta no sexo masculino, fato que de acordo com o mestre em psicologia clínica, Artur Vandré, a ciência desconhece. “Uma hipótese vem de pesquisas feitas no Canadá, no Hospital for Sick Children, em Toronto. Os estudiosos identificaram um gene que pode explicar a maior incidência do autismo entre os meninos. A hipótese é que eles apresentam uma alteração de DNA no cromossomo X.

Foram pesquisados os genes de dois mil indivíduos com autismo e comparados com indivíduos sem a síndrome. Um por cento dos meninos com autismo tinha mutações no gene PTCHD1, encontrado no cromossomo X. As irmãs desses meninos, mesmo com a mesma mutação, não foram afetadas. Isso é possível pela razão de que enquanto os meninos carregam o X das mães e o Y dos pais, naturalmente, as mulheres têm dois cromossomos X. Nesse sentido é como se o cromossomo sadio anulasse o “doente”. Mesmo assim as pesquisas vão continuar, pois não há nada concluído necessariamente”, explica.
Por conta da síndrome se manifestar majoritariamente em pessoas do sexo masculino, fora instituída a cor azul, como símbolo da causa de apoio à inclusão e luta pelos direitos dos autistas.

Direitos estes que são cerceados por falta de informação e desamparo de uma constituição pertinente às pessoas portadoras dessa deficiência, pois, ainda tramita no Senado um projeto de Lei que prevê a inclusão, como proteção contra exploração e acesso a serviços de saúde, à moradia e à assistência social, estendendo o direito à jornada especial ao servidor público que tenha sob seus cuidados cônjuge, filho ou dependente autista, além da possibilidade de ser incluído no sistema regular de ensino.

Ou seja, atualmente, os cerca de dois milhões de autistas no Brasil, não têm os mesmos direitos atribuídos às pessoas com deficiência como, por exemplo, cota de vagas de emprego em empresas com mais de cem funcionários. “Em alguns lugares do país, como Anápolis, o autismo não é tido como deficiência, mas é preciso que as pessoas saibam que eles possuem múltiplos problemas e precisam de um tratamento específico e intensivo, para que possam se desenvolver, com intuito de depois não ficarem pendurados no SUS”, destaca Rita Boarin.

Inclusão e preconceito

Embora, eles não possuam nenhuma característica física que remeta à limitação, como no caso da Síndrome de Down, os autistas têm algumas limitações que muitas vezes são incompreensíveis a um interlocutor desavisado da deficiência dessa criança.
Um autista é muito sensível à luz e ao som, não conseguindo absorver todas as informações que lhe são oferecidas, podendo gerar uma crise, muitas vezes em ambiente público. Rita relata que ao notar uma situação tensa para Nicole, logo lhe oferece a chupeta, pois esta lhe tira o stress e que muitas pessoas não têm receio de criticar o ato pela idade da menina, ou quando uma crise afeta a criança em público, os olhares e comentários maldosos censuram mãe e filha, por julgarem se tratar de uma birra por um mimo qualquer.

A situação se agrava quando o assunto é educação. As escolas de ensino regular são obrigadas a acolher crianças com essa limitação, mas muitas não têm preparo adequado. No caso de Nicole, ela precisou passar por três escolas até se adaptar.
A primeira escola pertencia a uma entidade particular e o maior problema foi a troca repetitiva de professores, pois, o autista, não suporta mudanças repentinas e seu mundo determina uma rotina pré estabelecida.

A segunda escola foi um projeto da rede estadual, em uma classe unicamente de autistas, mas a mãe foi aconselhada a não prosseguir com esse ensino, para que Nicole pudesse se adaptar a um convívio em sociedade e não adquirisse mais maneirismos, ou seja, manias típicas dessa síndrome, como andar na ponta dos pés, movimentos involuntários com as mãos, dentre outros.

A terceira experiência acontece em um CMEI e têm dado certo. Um monitor acompanha o desenvolvimento escolar de Nicole junto com a classe e de acordo com Rita, têm auxiliado para uma inclusão efetiva. Ela conta que ao chegar esses dias na entrada da escola, uma coleguinha abraçou Nicole e a levou de mãos dadas para a classe. “Para uma criança que não brincava e tinha uma grande dificuldade de socialização, atos como esse são uma grande vitória”, comemora.

Um mundo e seus repertórios

O psiquiatra César de Moraes aponta que crianças com autismo mostram, em geral, têm uma melhor performance nas tarefas não verbais e visuoespaciais do que nas tarefas verbais. “Sintomas comportamentais associados à síndrome incluem hiperatividade, curto tempo de atenção, impulsividade, comportamento agressivo, acessos de auto-agressividade e agitação psicomotora”, destaca.

Algumas pessoas com autismo têm respostas extremas aos estímulos sensoriais, tais como hipersensibilidade a luz, som, toque, e fascinação por certos estímulos auditivos ou visuais. Distúrbios do sono e da alimentação também são comuns nessas pessoas, além de medo excessivo em situações corriqueiras ou perda do medo em situações de risco.

Os indivíduos autistas apresentam uma insistência na ‘mesmice’, que se apresenta pelo seu comportamento inflexível e suas rotinas e rituais não funcionais, por exemplo, Rita cita que uma boneca para as demais crianças seria ninada, mas para o autista, a principal diversão seria brincar de abrir e fechar os olhinhos.

Movimentos corporais estereotipados são comuns e apresentam-se sob a forma de "flapping", balanceio da cabeça, movimentos com os dedos, saltos e rodopios. “Essas reações motoras se justificam devido ao desenvolvimento psicomotor ser comprometido em função de algumas áreas cerebrais serem afetas em termos fisiológicos e neurológicos”, explica o psicólogo Artur Vandré.

Mesmo a doença sendo considerada incurável, a esperança de pais como Rita é grande, já que o brasileiro Alysson Muotri, na Universidade da Califórnia, que conseguiu "curar" um neurônio "autista", de um rato em laboratório.

Com a cura ou não, a maior luta atual é pela dignidade e respeito do autista. Por este motivo, comemora-se na próxima segunda-feira (2), o dia deles, onde monumentos do Brasil todo serão iluminados de azul.

Um azul, que possui muito mais que mero croma, e sim um sinal de que a sociedade valoriza o mundo diferente, assim como o da Nicole, a menina que usa um vestido azul.

Uma situação de sombras



Entrevistei, Dom José Luís Azcona Hermoso, bispo da prelazia de Marajó, no Pará. Ele é apontado como um ícone na luta contra o tráfico de pessoas e exploração sexual de menores. Por suas denúncias tem seu nome inscrito na lista negra dos "barões do tráfico". Segundo ele, o tráfico humano está infimamente atrelado a outras três atividades ilícitas: tráfico de armas, narcotráfico e exploração sexual de menores. Dom Azcona ressalta que a desarticulação das quadrilhas que cometem esse crime é extremamente difícil, pois, este é um negócio bilionário que conta com a conivência de autoridades.

Qual é a realidade do Brasil no tráfico de seres humanos?

A situação do Brasil no tráfico de seres humanos é uma situação de sombras. Não existe uma estatística científica sobre essa realidade de flagelo humano que se abate sobre todo o Brasil, mas realidades conexas com o tráfico humano, como por exemplo, exploração sexual de menores, turismo sexual dão uma visão desta problemática que logicamente permanece oculta pelas próprias razões do negócio de tráfico de pessoas pelo estrangeiro e também pelo controle de organizações de nível internacional, que exercem influência até sobre meios de comunicação, de maneira que não é fácil o combate contra essa realidade e tão pouco o conhecimento da mesma, já que repito, o grande fenômeno da venda de pessoas leva consigo a ocultação, o segredo criminoso e a manipulação cuidadosa controlada por grandes organizações mundiais.

O tráfico ocorre por conivência de pessoas com grande influência social, como políticos?

Não se pode provar. Não temos essas provas, pois elas levariam à denúncia e consecutivamente a processos. Mas devido à interação do tráfico de pessoas com narcotráfico, tráfico de armas, a interação e a organização de muitos casos dessas quatro atividades criminosas, leva a pensar que existem políticos no meio e sem dúvida nenhuma ganham muito dinheiro. São R$ 32 bilhões anuais bilhões que estão em jogo, no mundo através do tráfico humano. Sem dúvida nenhuma podemos deduzir que alguns políticos estão envolvidos nesse tipo de atividade criminosa.

Quem é o traficante de pessoas?

O traficante pode ser qualquer pessoa. Ele pode iniciar desde um extrato social baixo e crescer com as máfias organizadas, até tomar o controle, como acontece no tráfico de drogas. Não se pode definir muito bem quem é que controla e leva para frente esse tipo de atividade, mas, sem dúvida nenhuma, são pessoas com forte poder econômico, e portanto, eles controlam um capital, investindo e produzindo através da escravidão humana, vendendo e comprando pessoas. Por exemplo, em 2007, um colaborador nosso conseguiu, com ajuda da Polícia Federal, se infiltrar em uma dessas máfias, que levava mulheres, incluindo até mesmo menores, para a Guiana Francesa e prenderam o grupo e o chefe da máfia, no Oiapoque, fronteira com a Guiana. Em dez horas desde a prisão deste criminoso, se apresentaram seis advogados para tirar da cadeia esse chefe da máfia. Se em dez horas esse grupo disponibilizou seis advogados, sem dúvida, muito qualificados, isso indica que a retaguarda tem muito dinheiro e que os organizadores são grupos poderosos. Em segundo lugar, esses grupos são inescrupulosos, como se pode comprovar pelo desfecho desse fato. O criminoso ficou somente um mês na cadeia, uma vez liberto, comunicou por telefone ao homem que tinha se infiltrado na organização criminosa dele dizendo: “eu vou te matar”. Esta ameaça apareceu na Revista Época e neste mesmo ano, no dia 9 de setembro era eliminado esse homem que descobriu o esquema do tráfico de mulheres para a Guiana Francesa. Isso supõe que eles são um grupo econômico organizado e ao mesmo tempo sem escrúpulos agindo diretamente na eliminação das pessoas, contra toda a lei. Eles são grupos paralelos, que a sociedade tolera.

Qual é o perfil da pessoa traficada?

Entre dois motivos, fundamentalmente é a necessidade econômica, e junto com ela, a proposta ilusória de paraísos, que há nessa vida, em outros lugares do mundo reservados especificamente para essa mulher. Na nossa região, em meio do ambiente de pobreza extrema, que se encontra nossa população, são extraídas das vítimas, voluntárias muitas vezes, e em outras ignorantes, o que de fato as aguarda nesse tipo de tráfico humano. Se já em maio de2009, o programa da Globo, Fantástico, transmitiu uma notícia sobre a venda de pessoas no Brasil, aqui no município de Portela, onde o jornalista supostamente comprava de uma mãe, uma menina de 17 anos por R$ 500,00 e a de 10 anos, por R$ 10,00 ou quatro louras (cervejas), para passar uma noite. Esse detalhe é um sinal, que responde a sua pergunta. Nesse meio ambiente de miséria, econômica e humana é que são levadas essas mulheres para o fim do mundo para serem compradas e vendidas como animais de estimação que valem dinheiro.

Uma vez dentro desse esquema, existe a possibilidade dessas pessoas voltarem para sua realidade de origem?

É muito difícil, por aqui os casos que conhecemos são de tristeza. Por exemplo, uma mulher traficada para a Espanha, na cidade de Saracura, estava se prostituindo, e ao tomar uma dose excessiva de êxtase, perdeu o controle de si mesma e foi repatriada. Ela retornou a Portela (PA), seu município, mas, ficou para sempre perturbada, uma mulher que não tem capacidade de socialização, é agressiva, completamente insana, apesar de todos os tratamentos. Outras não têm oportunidade de voltar, pois são assassinadas, como por exemplo, ano passado, uma menina de 25 anos, aqui de Breves, foi assassinada na Guiana Francesa, para roubarem o dinheiro que tinha, por parte de garimpeiros, possivelmente. Esses ambientes para os quais elas vão e são vendidas, dificultam muito o retorno, por que no momento determinado, o preço que elas valem prevalece sobre a própria dignidade da vida humana, portanto, muitos casos que conhecemos é de um final trágico, se não com morte, existe uma situação de escravidão permanente, muito difícil para se libertar.

Existe algum projeto governamental para investigar esses casos?

É interessante como historicamente, a partir do Marajó, as denúncias que junto comigo, dois irmãos bispos, Dom Erwin Kräutler, de Altamira (PA), e Dom Flávio Giovenale, de Abaetetuba(PA), que também estão ameaçados de morte, como eu, por diversas causas, e uma delas é a exploração sexual de menores, a partir daí se levantou um clamor forte, que levou a uma CPI contra a exploração sexual de menores, repito, uma atividade muito conexa com o tráfico humano, sobretudo mulheres, e mais particular, adolescentes. Isso ganhou uma enorme repercussão, aqui no Pará e em toda a nação. Ao mesmo tempo no Senado, o senador Magno Malta levou para frente, o que paralelamente estamos trabalhando aqui, algo que todo o Brasil conhece, que foi a CPI contra a exploração sexual de menores. Uma das conclusões foi que devido à grande conexão entre as duas atividades, é necessário organizar uma CPI, no Senado que lute contra o tráfico humano. Aqui no Pará, já acontece há nove meses, uma CPI para a investigar o tráfico de mulheres, para fins sexuais e têm se descoberto, que não somente aqui no estado, existem atividades de organizações e grupos de tráfico humano de órgãos, não posso especificar mais, porém essa é a realidade. Esta comissão também tem denunciado abusos contra adolescentes e menores, que iludidos com promessas de um futuro esportivo brilhante, são transportados irregularmente para São Paulo e Rio de Janeiro, a fim de serem comprados ou alugados, para jogarem futebol.

O senhor é apontado como uma das pessoas marcadas pra morrer, em decorrência de suas denúncias. O senhor tem medo?

Bom, essa é a pergunta que todo jornalista faz. Eu penso na morte com muita freqüência, quando, por exemplo, pela manhã abro a porta para ir à capela da casa do “bispo”, para rezar, penso “por traz dessa porta pode estar o meu assassino”. Quando tenho de atravessar o corredor que me leva para a capela, tem uma sacada e penso, “dentro daquela sacada, um rifle pode acabar facilmente com a minha vida”. Tem uma sombra no amanhecer e o pensamento da morte me acompanha, não somente nesses momentos, mas quando vou ao interior, o barco que estou, no mato, sobretudo os rios pequenos, pois, possuem os igarapés, penso, que em uma facilidade qualquer, com um par de metralhadoras podem acabar com o nosso barquinho da paróquia. Esse pensamento me acompanha muito, porém, Deus é mais e mais forte, posso dizer claramente que Ele tem tirado toda angústia e ansiedade, pela graça Dele, unicamente, não tenho perdido um minuto de sono, e mais ainda, penso que se um dia puder entregar meu sangue por Jesus, que derramou o seu preciosismo, por um pecador tão grande como eu, para mim será verdadeiramente o dia mais feliz da minha existência. Se um dia eu puder dar a minha vida por esse povo, aqui do Marajó, para mim será o final do meu ministério episcopal, na maior alegria, na maior glória, para honra de Deus e realização para aquilo no qual Ele me enviou aqui, de maneira que isso é graça de Deus, sou consciente do perigo que corro, mas ao mesmo tempo estou muito mais consciente da herança, para qual Cristo me escolheu.

Anápolis na rota do tráfico de mulheres

O Texto e a foto são de minha autoria

O que restou para a família de Simone foi uma foto, a sensação de impotência, impunidade, além do vazio eterno ocasionado pela saudade. A jovem de 23 anos deixou o Brasil em busca de melhores condições de vida na Espanha.

Aliciada por uma quadrilha que trafica mulheres para fins sexuais, Simone morreu misteriosamente no país desconhecido, apenas três meses após sua chegada. Até hoje, os pais buscam explicações para o fato e alegam que nunca mais foram os mesmos desde o falecimento precoce da filha.

Simone faz parte da obscura estatística, que não possui números precisos para medir a quantidade de seres humanos vendidos e explorados como animais fora do país. Os ativistas na luta contra essa realidade, como o bispo de Marajó (PA), afirmam que isso acontece, pois, as quadrilhas são grupos tolerados pela sociedade, por seu alto poder econômico e a alta capacidade de inescrupulosamente agir diretamente na eliminação das pessoas, que as denunciam.

O tráfico humano para exploração sexual é a terceira maior fonte de renda ilegal do mundo, estima-se que por ano, quase um milhão de pessoas são traficadas, destas 98% são mulheres, que geram mais de 32 bilhões de dólares ao mercado negro. O Brasil lidera o vergonhoso ranking dos maiores exportadores de mulheres, com 85 mil vítimas.
E dentro dos números brasileiros, Goiás figura como um dos campeões nacionais no tráfico de pessoas, sobretudo mulheres e Anápolis é rota para essa viagem, muitas vezes sem volta. Para o membro do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP), o juiz Rinaldo Aparecido Barros, muitos aspectos auxiliam para esta perspectiva, entre eles, a beleza da mulher goiana, mão de obra predileta e prioritária para os traficantes, que fazem falsas promessas de emprego como babás, modelos e até mesmo a prostituição é apresentada como uma oportunidade mágica de enriquecimento.

Ele alega que o tráfico de mulheres é muito mais vantajoso para um traficante, que o próprio tráfico de drogas, uma vez, que a mulher explorada não é descartável e sim, pode ser reutilizada por meio de diversas vendas, sendo esse ciclo encerrado, apenas com a morte ou o enlouquecimento da vítima.

Ao chegar no país, a realidade já é outra totalmente diferente. As mulheres adquirem uma dívida com o traficante, que lhes cobra o valor da passagem, hospedagem, a exigência de uma porcentagem dos (muitos) programas que são obrigadas a realizar, além de cercearem a liberdade, subtraindo-lhe o passaporte, não permitindo que elas transitem livremente pela rua, ou falem ao telefone sem monitoramento.

Na senzala do século XXI, as escravas sexuais, são algemadas às dívidas impostas pelos “barões do tráfico”, que a cada dia aumenta, tornando-se impagável e fazendo da alforria um ato praticamente impossível.

Imputações pelos mais variados motivos geram multas absurdas, como uso de tênis, não se pode descer dos quartos de sandália, deitar no balcão, passar da hora, é proibido ir à rua com roupas curtas, as atividades exploratórias sempre devem se iniciar em um horário determinado. Quem infringe essas normas paga multa. As mulheres também pagam multa por cada cliente recusado, ou seja, é praticamente impossível se libertar desse cativeiro e para conseguir dar conta das “regras”, essas mulheres se vêem obrigadas a fazerem uso de drogas e álcool.

Mulheres de vida fácil?

Entre promessas de despesas pagas, emprego garantido e muitos sonhos de uma vida melhor, as vítimas do tráfico internacional de pessoas, têm como destinos mais freqüentes Espanha, Suíça e Portugal.

De acordo com a titular da Delegacia de Defesa Institucional, Marcela Rodrigues, o (a) aliciador (a), geralmente aborda as jovens oferecendo trabalho no exterior ressaltando sua beleza, suas características corporais e a facilidade para ganhar dinheiro. “Elas sabem dos desejos e das dificuldades dessas jovens e sabe convencê-las porque apresentam sua própria trajetória como vitoriosa. E, ainda, ressaltam a superioridade da mulher brasileira em relação às européias no que concerne à sexualidade e que seriam as preferidas dos homens estrangeiros. Esse discurso está todo baseado na subalternidade e na condição heterônoma da mulher”, destaca.

Por incrível que pareça, muitas vezes, o aliciador é uma pessoa próxima, e possui com a vítima, relações que envolvem afetividade. Para a psicóloga Cíntia Maia, da Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres, como já há um vínculo com o aliciador, existe um maior respaldo na hora do convencimento, que envolve promessas de uma vida farta e dinheiro em abundancia.

Vislumbradas com essas possibilidades elas encaram tais propostas, como uma oportunidade de crescimento, já que dados da Polícia Federal apontam que elas são em maioria, jovens de baixa renda, entre 18 e 30 anos, geralmente mães solteiras e responsáveis pelo sustento econômico financeiro de seus familiares.

Para Nelma Pontes, do NETP, a prostituição pode ser até uma opção pessoal, mas é preciso desconfiar do oferecimento de muitas vantagens. “Para vencer na vida, não existem facilidades demais é preciso desconfiar dessas propostas muito boas. Se a pessoa fizer uma conta matemática, o custo de vida lá é muito mais alto e para ter o mesmo padrão de vida daqui a pessoa precisa se desdobrar. Ninguém é muito bonzinho pra te ajudar na a ganhar na loteria”, critica.


Na mala muita decepção

A desarticulação das redes de tráfico humano é uma atitude arriscada e extremante difícil. De acordo com o bispo de Marajó, Dom Azcona, a atividade mobiliza bilhões e conta com a conivência de políticos e pessoas influentes, além de estar infimamente atrelado ao narcotráfico, tráfico de armas e exploração sexual de menores.

A delegada Marcela Rodrigues também expõe a dificuldade de desarticulação por conseqüência das próprias vítimas, pois há uma grande dificuldade para efetuarem denuncias e se desvincularem da rede. “A maior dificuldade para desarticular redes de tráfico de mulheres, é que as envolvidas com o tráfico têm muitas dificuldades em se perceberem como vítimas, devido ao fato do aliciador pertencer à sua convivência social; as relações são permeadas por contradições e um desejo muito grande de melhorar de vida, ser independente financeiramente e ajudar a família; e as condições de trabalho das mulheres que atuam no mercado do sexo no Brasil são difíceis e permeadas, também, pela violência”, explica.

Mesmo com as inúmeras dificuldades, já elencadas, muitas mulheres conseguem retornar ao Brasil através de instituições, como a Organização Não Governamental (ONG), “Resgate”, que possui escritórios em diversos países, e como o próprio nome revela, literalmente resgata pessoas que vivem em condições inumanas fora do país.

Uma vez, de volta à terra natal, essas mulheres enfrentam uma dificuldade imensa de readaptação, por conseqüência da história de terror vivida durante o tempo de permanência fora, além de muitas delas terem adquirido marcas irreversíveis, como as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), e o vício em álcool e drogas.

A diretora de Políticas Públicas para as Mulheres, Erondina de Moraes, ressalta que em muitos atendimentos feitos por sua diretoria, a mulher resgatada, possui bens como casa bem mobiliada e um bom carro, mas não encontra estrutura psicológica e monetária, para um recomeço em sua sociedade matriz. “Elas até têm uma casa organizada, levando as pessoas a pensarem que não há necessidade de apoio, mas o que não se sabe é que essas mulheres não têm como se manter socialmente”, acredita.

Mesmo com o NETP, um serviço governamental, que está à disposição dessas mulheres, poucas são as que buscam ajuda efetiva. Segundo Nelma, esse fato ocorre, pois existe a vergonha da sociedade, sobretudo da família. Ela também destaca que muitas não procuram o núcleo por já chegarem ao Brasil com problemas psicológicos e ainda precisarem lidar com a adaptação.


Combate educativo

As entidades têm encontrado um bom momento para resgatar as pessoas em situações exploratórias, visto que principalmente a Europa se encontra em uma crise recessiva da economia, e os trabalhos, inclusive os de cunho sexual estão em baixa monetária.

Se por exemplo, uma mulher cobrava € 100 por programa, com a crise foi obrigada a baixar seu preço para € 20, ou seja, a prostituição não gera mais riqueza como antigamente, e essas garotas, mal vêm conseguido recursos para a própria sobrevivência.

Mas, o principal foco do governo e das entidades de luta contra o tráfico humano (visto a dificuldade de desarticulação das máfias), é trabalhar com o viés educativo para a redução destes índices.

Com intuito de capacitar os órgão de repressão e de luta contra o tráfico de pessoas, será realizado no segundo semestre pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um congresso internacional para discutir o tema. A nível municipal, o NEPT realizará em Anápolis em maio um seminário que visa debater entre sociedade, governo, Justiça e polícias a problemática do tráfico humano.

Goianos no mundo

Fabiana e o esposo, José, no Japão

Dados fornecidos pelo secretário de assuntos internacionais do governo de Goiás, Elie Chidiac revelam que existem cerca de 200 a 300 mil, goianos no exterior e muitos deles em situações deploráveis ocasionadas pela ilegalidade.

A maioria das mortes registradas, são por decorrência de assassinatos brutais, que de acordo com Chidiac, acontecem, pois esses imigrantes não têm acesso à Justiça, por que correm o risco de serem deportadas. Fruto dessa realidade, eles não têm direito de aquirir armas de fogo e procuram fazer “justiça”, com as próprias mãos com armas brancas e acabam gerando violência, como no caso de Bruno.

O secretário ainda ressaltou, que com a crise econômica, muitos goianos estão voltando pra casa, pelas baixas condições sociais oferecidas pelos países.


GOIANOS NO EXTERIOR:
200 a 300 mil.

LOCAIS E OCUPAÇÕES MAIS FREQUENTES:
EUROPA- imigraçao irregular, trabalhos de baixa escolaridade, semi-escravo, prostituição
JAPÃO E ORIENTE MÉDIO- predominantemente descendentes de cidadãos destes países, empresários e um pequeno nível de prostituição

MORTES REGISTRADAS:
2011- 8
2012- 10

TRANSLADOS:
4- cremados e financiados pelo governo
5- financiados pelo governo dos EUA
1 – financiado pela família

9 MORTES NA IRLANDA EM TRÊS ANOS:
8- assassinatos
1 – enfarto

O drama do sonho que vira pesadelo

O drama do sonho que vira pesadelo




Se fosse um livro, a história dos milhares de brasileiros que deixam o país sempre teria em comum as páginas iniciais. O sonho de adquirir uma vida melhor para si e a família deu asas para que todos eles voassem rumo ao desconhecido.

Essa idéia de uma vida melhor no exterior é recente, iniciando-se apenas na década de 70. Estima-se que mais de 100 mil brasileiros emigram todos os anos para outros países, destes, 300 mil são goianos que já moram e 70%, (210 mil) estão em situação irregular.

O anapolino Bruno Lemes de Sousa, de 28 anos, fazia parte desta estimativa. Saiu do Brasil rumo à Irlanda, com a promessa de mudar de vida, já que seria suspeito de participar do homicídio de uma mulher, além de dar uma condição monetária melhor aos pais e à filha de três anos.

No condado de Kerry, ele trabalhava como operário de uma fábrica local e nas horas vagas comprava e vendia carros para engrossar a renda. Para a família, ele se dizia muito feliz com a vida e a namorada brasileira, sempre falava em voltar, mas primeiro precisava ganhar mais dinheiro e garantir a estabilidade.

No dia 16 de fevereiro, Bruno ligou para a companheira avisando que levaria o carro para um cliente em outra cidade, mas chegaria a tempo do jantar. Não foi o que aconteceu. A partir deste dia, começou a jornada de angústia por notícias do jovem, e possíveis pistas para encontrá-lo.

Somente no último domingo (11), após 24 dias de buscas, a família e amigos foram informados que o corpo de Bruno fora encontrado em um pântano há 150 km da cidade onde morava, com sinais de violência.

Dois homens, um brasileiro e um irlandês são suspeitos do crime, que possui várias especulações. Um conhecido afirma que a vítima devia mais de € 9 mil, a ciganos; o jornalista Owen Conlon, porém, ressalta que a polícia local acredita que os suspeitos mataram Bruno, pois, este vinha flertando com a namorada de um deles.

Independente das razões que motivaram o crime fica uma família desolada que não terá direito de velar e se despedir do ente que foi em busca de um sonho e voltará em forma de cinzas, já que o translado do corpo em decomposição é inviável tanto de forma logística, como monetária.

Conheça a história de brasileiros que saíram pelo mundo, assim como Bruno, em busca de uma vida melhor e nem sempre essa foi a realidade encontrada.

A vida dele é um filme

Parece história de filme, mas não é, o anapolino Roger (nome fictício), deixou a mulher e a filha em Anápolis, com a promessa de um bom emprego na Bélgica. Ao chegar no país, a realidade era diferente: acomodações precárias, insalubridade laboral e um salário tão mirrado, que os vencimentos só davam para pagar as despesas básicas e enviar uma quantia à família.

A situação de Roger se complicou, quando ele perdeu o emprego. Como ele não conseguia economizar, se viu abandonado pelos amigos que o convidaram para morar no exterior, e obrigado a morar no metrô como um indigente.

Com aparência desfigurada, barba gigante e banho como uma raridade, ele conseguiu a compaixão de uma brasileira, que vivia da prostituição. Ela conseguiu com um conhecido, uma audiência para Roger, com o rei belga, que lhe ofereceu uma passagem de volta ao Brasil, na condição de deportado.

Roger aceitou com prazer a deportação e voltou a Anápolis, local de onde ele diz nunca mais querer sair.

27 dias de trabalho sem folga

Fabiana é descendente de japoneses e tem uma irmã que já morava no país de origem. Ao ver o marido, José, desempregado, a necessidade de ter a casa própria e a vontade de dar uma condição melhor à filha de dois anos, não titubeou em procurar uma agência que fornece empregos a brasileiros no Japão.

Na cidade Joso-shi, província Ibaraki-ken, Fabiana trabalhou junto com o marido, em uma fábrica de alimentos congelados, e levavam uma vida que ela categoriza como difícil e ruim.

No Japão, a carga horária é similar à do Brasil, de oito horas diárias e se ganha por hora, porém era raro uma jornada inferior a 12 horas, já que quanto mais se trabalha, mais se ganha. Fabiana, conta que por ser mãe, ela tinha direito ao domingo de folga, mas, o marido era obrigado a comparecer no trabalho inclusive nesses dias. “O Zé, por ser homem, não tinha direito às folgas no domingo, ele já chegou a trabalhar 27 dias direto, sem nenhuma de folga”, destaca.

Fabiana, disse que sentia falta da espiritualidade típica do Brasil, pois, os japoneses são frios e se sentem ameaçados com a presença de brasileiros, que em tempo de crise, por serem mais ágeis e produtivos, acabam faturando as vagas nas empresas. Como consequência dessa vida agitada, ela disse que ao longo dos três anos de vida no Japão, presenciou muitas mortes por enfarto, que as pessoas não tinham tempo para desfrutar das aquisições e para os religiosos como ela, havia missa a cada dois meses e em locais muito distantes.

O Tsunami foi um fator inesperado na vida do casal. “Ficamos preocupados principalmente por causa da nossa filha. Quando soubemos do risco de contaminação era muito maior nas crianças tomamos essa difícil dicisão, pois, ainda não estávamos planejando voltar, ainda tínhamos dívidas pra pagar, tínhamos acabado de comprar a casa, íamos começar a comprar os móveis. Viemos na fé, crendo que Deus proveria tudo”, relata.

Mesmo com a conquista da casa e de outros bens, Fabiana garante que não pensa em voltar ao Japão. De acordo com ela, existem valores que nenhum dinheiro compra. “Apesar de precisar ainda, porquê ainda estamos tentando nos estabilizar financeiramente, não quero voltar, pois, com tudo isso, vimos que o dinheiro não é prioridade na nossa vida e que lá não tínhamos tempo pra família, pra nossa filha. Não queremos que a creche crie a nossa filha, nós queremos criá-la e conduzí-la no caminho de Deus, coisa que lá não tem como. Dinheiro a gente se vira, aprende a viver com o que tem”, declara.

Em busca do American Lifestyle

A década de 90 registrou um índice elevado de brasileiros que foram tentar a vida nos Estados Unidos (EUA), e dentre eles estava Zenaido.

Em 1995, ele conseguiu um visto de turista, deixou a profissão de ourives e passou seis meses no país do Tio Sam, para ver como era antes de mudar-se definitivamente com a mulher e os filhos.

Depois da experiência inicial, ele voltou ao Brasil, montou uma oficina mecânica e por algum tempo desistiu da idéia de voltar. Mas um divórcio mudou o rumo dessa história e dessa vez Zenaido mergulhou definitivamente no sonho americano.

Como o visto era de turista, logo seis meses depois houve o cancelamento da permissão de estadia nos EUA, e como milhares de brasileiros, ele permaneceu ilegalmente por muito tempo. Começou um trabalho de “chapa”, em construção de casas de madeira, mas hoje já é dono de uma construtora e possui vários funcionários.

Durante esses quase 10 anos de espera pelo Greencard (visto para imigrantes), Zenaido se privou da convivência com os dois filhos, que só falava por telefone, carta e mais recentemente, via webcam. O filho do brasileiro, Tony, diz que mesmo com a ausência do pai, a vida que ele lhe proporcionou compensou a falta. “Foi um tiro no escuro, mas com isso, ele comprou varios imoveis aqui, a casa dele lá, carros, está pagando minha faculdade, eu creio eu que se ele nao tivesse feio isso, tudo que temos hoje seria bem menos, e olha lá se teríamos algo. Ele nao acompanhou nosso crescimento, nem nos convivemos com ele nossa infância, mas com tempo acabamos acostumando”, explica.

Zenaido, recentemente levou o filho mais novo para morar com ele e não pensa em voltar ao Brasil, embora com a conquista do greencard, passe as férias anuais aqui.

A Crise mudou a rotina da brasileña

Encontrei Maria, minha chará, em uma mercearia de um bairro da classe média alta, em Madri, durante uma viagem no ano passado.

Assim que descobriu que eu e meus amigos éramos brasileiros, se alegrou e prontamente veio conversar conosco, logo descobrimos que ela morava no mesmo prédio onde nos hospedamos.

A princípio fiquei constrangida em perguntar qual era a sua ocupação, mas antes que eu questionasse, ela parece ter adivinhado minha curiosidade e contou que morava com o marido no residencial para cuidar de um idoso, já debilitado e era babá da filha da vizinha.

Ela contou que o filho e outros cinco imigrantes, dividiam o aluguel de um apartamento próximo, pois só desta forma conseguiam juntar algum dinheiro para voltar ao Brasil e que a maioria dos espanhois não têm afinidade com brasileiros, pois muitos apresentam condutas inaceitáveis, como prostituição, furto, uso de drogas e outras infrações.

Com a crise, a “brasileña”, como é conhecida Maria, ressaltou que a situação dos imigrantes ficou muito difícil. “Antes se houvesse força de vontade, dava pra fazer muita fachina e os homens encontravam muito trabalho braçal, mas agora, com essa crise, não tem emprego nenhum, principalmente os homens”, ressalta.

O marido da cuidadora de idosos, já estava com a passagem comprada e voltaria ao Brasil em janeiro, já ela, ainda demoraria um pouco mais, porém, também desejava retornar, pois disse sentir muita falta da filha, dos netos e da vida que levava.



Por fim ela me abraçou, e disse que esperava o nosso grupo para servir-nos arroz e feijão. Infelizmente, não pudemos visitar a Maria, mas sempe lembramos da alegria de seu jeitinho brasileiro.



A casa da magia



As fotos são de minha autoria







Nárnia, a história fantástica do autor irlandês C.S Lewis, narra a saga de quatro crianças, que em meio à II Guerra Mundial, encontram uma passagem secreta através da porta do guarda-roupa, que os leva a um mundo onde alguns animais podem falar, as criaturas mitológicas abundam, e a magia é comum.

Assim me senti ao passar pela estreita porta porta aberta, quase imperceptível, em meio ao turbilhão de carros e pessoas que transitam pelo centro da cidade. Esse lugar chamado Luminária, livraria e cafeteria é como um portal que dá acesso a outro mundo repleto de histórias e fantasias.

Diferente de uma livraria comum, a Luminária abriga livros e discos de vinil, que já pertenceram a outras pessoas, sendo considerada um sebo. Mas não um sebo comum, existe naquele local, um forte apelo artístico e cultural.

Quem chega à Luminária, pode escolher a trilha sonora a ser ouvida através das mais de 30 mil opções encontradas nos discos de vinil. Quando cheguei o ambiente era invadido por uma ópera italiana a pedido de Joe, um turista do Rio de Janeiro, alguns minutos depois, o clima era contagiado pela rebeldia de Cindy Lauper, atendendo ao desejo da estudante de direito, Valquíria Duarte.

Valquíria tem 19 anos e é freqüentadora da livraria, segundo ela, a paixão por música é herdada da família que sempre prezou pela qualidade cultural. “Aprendi com meus pais a ouvir artistas antigos, sempre digo que a música de hoje não tem letra, só ritmo e sempre gostei de clássicos” e completa, “tenho um carinho especial por essa artista que escolhi ouvir hoje, a Cindy Lauper, na época do lançamento desse disco, nos anos 80, ela era a personificação da rebeldia, só que com a deturpação da música atual ela é considerada um nada”, desabafa.

Embalada pela rebeldia de Cindy, a estudante atualmente lê a obra da romancista policial Agatha Christie e revela que prefere os livros usados, pois estes adquirem a personalidade de seus leitores. “Aqui tem algo especial, que não encontro em uma livraria de livros novos é como se o livro adquirisse uma personalidade, pois quando passa de mão em mão ele começa a fazer parte da vida das pessoas”, acredita.



O Cult cibernético

Há dois anos Carlos Lázaro e seu irmão Manoel Messias, decidiram investir em um negócio cultural. Carlos deixou o Rio de Janeiro, a profissão em uma agência publicitária e junto com a esposa Vânia, migrou para essa nova realidade. “A idéia de criar a Luminária, nasceu no Rio de Janeiro, cidade que vivi por 36 anos; sou leitor assíduo desde a infância e freqüentei os sebos do Rio, unindo este hábito, com a vontade de voltar para Goiás, eu e meu irmão criamos a livraria”, destaca.
Em julho de 2009, a Tipografia Marília, um sebo que funcionou por quase meio século no centro de Anápolis estava à venda e os irmãos adquiriram o acervo para iniciarem o novo negócio.

Dentro da riqueza cultural encontrada no acervo estão discos originais dos Beatles e livros raros como os do imortal da Academia Brasileira de Letras, Benedito Nunes, que fora do mercado foram comprados pela casa Ruy Barbosa para serem reeditados.
Livros como os do imortal e o disco dos Beatles, possuem um canal de divulgação maior que a sede física da livraria. Desde 2005, o site “Estante Virtual” criou a maior rede de sebos do Brasil, com quase três mil cadastrados de todo o país.
O portal reuniu, em uma mesma estante, o acervo de centenas de sebos e leitores, criou um sistema de busca e compra de livros usados inédita na internet brasileira e contribuiu para a informatização e, consequentemente, para uma melhor organização dos sebos.

Para Carlos Lázaro o sucesso da venda na internet está na exclusividade que os consumidores querem ter. “Tem gente que valoriza uma obra em sua linguagem original, como por exemplo, do início do século XX, ligadas ao português arcaico, inclusive, os livros antigos, dependendo do autor são muito mais valorizados que os novos, e se uma primeira edição tiver sido autografada, para muitas pessoas a obra não tem preço”, explica.

O proprietário conta que a Internet auxilia na visibilidade e nas vendas dos produtos. Além da Estante Virtual, a livraria conta com um perfil de vendas no site MercadoLivre e no Facebook, onde são disponibilizados livros, discos e obras de arte como esculturas, pinturas e pirografias.

A internet é uma ferramenta auxiliando no comércio do que é ou não vendável, na tabela de preços e nos dá uma noção do mercado. “Sem a internet estaríamos cegos, boa parte dos meus clientes freqüentam a Luminária virtualmente, somos conhecidos no Brasil inteiro e já enviamos encomendas até para a França”, relata.

Das passeatas à carteirinha: uma mudança ou silenciamento consentido dos movimentos estudantis?


Das passeatas à carteirinha: uma mudança ou silenciamento consentido dos movimentos estudantis?

O movimento estudantil no Brasil nasceu em meados de 1937, sendo responsável por conquistas políticas expressivas, como a defesa do fim da Ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e a posição contra o Nazifascismo, a luta contra a ditadura que durou de 1964 a 1985, participação ativa nas “Diretas já” e o movimento “caras pintadas”, que promoveu o Impeachment do Presidente Collor.

Os maiores momentos do movimento estudantil, estão ligados diretamente à luta por democracia, porém, atualmente, a maior luta dos movimentos é da implementação da carteirinha de meia entrada, que de acordo com os movimentos, é uma garantia do estudante para possuir formação intelectual e cultural, além de proporcionar atenção voltada excludivamente aos estudos, não precisando trabalhar para sustentar uma vida social de qualidade.

Advindo da nova perspectiva destes movimentos, que atualmente buscam construir junto com a sociedade, está Alzir Aguiar, que é o segundo presidente da União dos Estudantes do Estado de Goiás (UEE), provenientente do curso de Direito, de uma instituição de ensino particular e majoritariamente direitista, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC).

De sotaque típico do nordeste, uma figura marcante não só pela barba e o cigarro, Alzir fala com propriedade sobre a realidade universitária, o desinteresse dos estudantes por questões inerentes à política, perda de valores e a nova cara da juventude goiana, a quem ele se refere como “politizada”.
Tranquilidade política?

Com a recente redemocratização do Brasil criou-se um clima de tranqulidade política, já que foram conquistadas liberdades outrora cerceadas.

Para o presidente da UEE, o viés do movimento estudantil de apenas debater e levantar bandeiras foi substituído por um movimento de construção de ações, para de fato descobrir o que a juventude quer hoje. “Quando se fala em política, a juventude abomina essa palavra, isso é ruim, mas tem uma nuância de certo modo positiva. Essa abominação vem de toda corrupção e degradação do cenário nacional, com isso o estudante procura engrandecimento pessoal e pessoal para quando sair da faculdade e o movimento estudantil tem preenchido essa lacuna na sociedade, agindo na formação pessoal e profissional deste estudante”, acredita.

Muitos veículos de comunicação sugerem que o principal movimento estudantil, a UNE, de se tornaou um reduto de partidos políticos esquerdistas, como o PcdoB, chapa branca do atual governo, além das inúmeras acusações de corrupção e desvio de verbas públicas, para compra até mesmo de wisky e vodcka importada.
Aguiar admite que acontecimentos como os acima destacados acontecem, porém defende que não pode haver generalização de fatos considerados por ele como isolados. “Às vezes um fato quando ocorre, por menor que seja, sua repercussão negativa é bem maior que a positiva”, defende.

Porém, o presidente ressalta que é muito difícil separar movimentos estudantis do pensamento esquerdista, já que desde os primórdios estes sempre caminharam ao lado de teses socialistas, no entanto, ele enfatiza que não é mais discutida a polarização, já que antes do fim da Guerra Fria, o mundo deixou de ser bipolar, a discussão atual abrange um nível do comportamento social. “Hoje existe uma intervenção negativa de alguns partidos, mas é mínima, e aqui em Goiás, nós temos uma representação muito mais institucional que é a atual perspectiva que o estudante tem aderido; a UNB e a USP têm tomado posições muito interessantes, no sentido de levantar bandeiras independentes”, ressalta.

Embora Alzir ache interessante essas novas práticas independentes, ele diz achar uma “lenda”, a separação de movimentos estudantis do partidarismo.

Um novo conceito

Os filhos das conquistas do movimento estudantil cresceram em meio à recente calmaria política democrática, assistiram no Jornal Nacional os escândalos de corrupção e decidiram que mais importante que militancia era cuidar da própria individualidade.

Essa perspectiva trouxe mudanças significativas, de acordo com Aguiar, os congressos e eventos dos movimentos estudantis antes de apresentar debates políticos precisa adicionar boas doses de atrações culturais, caso contrário, a participação é mínima.
Outra consequência dessa geração são os relevantes índices da educação superior no Brasil, que deram um salto considerável, contando com cerca de 2 mil instituições de ensino. Porém, o curso superior tornou-se em certas situações mera fonte de lucro perdendo sua qualidade.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), 37% das faculdades obtiveram notas abaixo da média e quase 50 mil vagas correm o risco de serem fechadas. De acordo com Alzir Aguiar, essa realiade preocupa a UEE. “No Brasil essa é uma questão muito delicada, que vem desde a base, se o país não tiver essa preocupação de subsidiar e dar boa qualidade de educação, nós nunca vamos sair de um país de primeiro mundo, mas que ao mesmo tempo abriga um país de terceiro mundo”, pondera.

A nova bandeira

A meia-entrada em cinemas, circos, espetáculos teatrais, esportivos, musicais e de lazer é um direito garantido a todo estudante, e está baseado na idéia de que a formação do jovem é mais ampla do que sua simples ida à escola, incluindo também sua participação em atividades que o coloquem em contato com diversos tipos de produções culturais.

Alzir acredita que houve uma banalização do uso dessa carteira estudantil, e o movimento lançou a campanha “Com a UEE posso mais”, que visa criar uma série de parcerias com a iniciativa privada para agregar aos parceiros essa mentalidade.
O presidente critica o atual modelo de utilização das carteiras e diz que houve uma banalização inaceitável e com intuito de moralizar o uso da carteira estudantil, no dia 15 haverá uma audiência com o procurador geral de justiça, Benedito Torres, para discutir a evasão legislativa desta matéria.
Alzir defende que a meia-entrada deve ser restringida unicamente ao estudante e que atualmente o uso desta tem sido “prostituido” por empresas, tirando legitimidade das entidades estudantis e que a medida beneficia uma classe que não se sustenta e precisa de cultura para fazer a diferença na sociedade.

Código Florestal: mais do que um simples amor à natureza


A Lei N.º 4.771 de 15 de setembro de 1965, mais conhecida como Novo Código Florestal, que diz respeito às florestas e demais formas de vegetação pertencentes ao território brasileiro, definindo a Amazônia Legal, os direitos de propriedade e restrições de uso para algumas regiões que compreendem estas formações vegetais e os critérios para supressão e exploração.

Polêmico, o Novo Código divide opiniões e mobilizam setores da sociedade que vêem a necessidade de que seus interesses sejam mantidos ou inseridos.
A votação do código, marcada para a última terça (6), ficou para a semana que vem. O relator prometeu apresentar seu parecer na próxima terça (13). Nessa etapa deputados discutem mudanças que poderão ser feitas no texto que foi aprovado pelo Senado no fim de 2011.

A Câmara já havia votado uma vez o Código Florestal, em maio do ano passado, mas o assunto teve de retornar por causa das alterações. Na possível votação do dia 13, os deputados não poderão mais fazer mudanças de mérito, apenas decidir qual texto vai prevalecer, mas é possível retirar pontos da proposta.

Uma briga ideológica e financeira

De um lado ambientalistas, de outro ruralistas. Os primeiros pedem o veto do novo código, por considerarem que a aprovação cria condições para a ampliação do desmatamento. Já os produtores rurais alegam não depredarem o meio ambiente, e sim fomentarem progresso ao país.

A ex-senadora Marina Silva (sem partido) é uma das líderes de um movimento que formulou uma carta aberta criticando a política ambiental do governo. De acordo com esse movimento, uma tendência de aprimoramento da agenda de desenvolvimento sustentável que vinha sendo implementada ao longo de todos os governos desde 1988 foi invertido.

Em um trecho da manifestação, o movimento ressalta que o Novo Código fomenta a impunidade e a ganância. “Apesar das diversas manifestações de cientistas, juristas, pequenos agricultores, ambientalistas e organizações sociais das mais variadas áreas, denunciando os efeitos perversos que as alterações pretendidas pela bancada ruralista trarão para o presente e futuro do equilíbrio socioambiental no país. Mesmo assim, deputados e senadores aprovaram mudanças que premiam a impunidade e a ganância, afrontando diretamente nós, o povo brasileiro”.

Já, de acordo com presidente da comissão de meio ambiente, do Sindicato Rural de Anápolis, Randerson Aguiar, desde a criação do primeiro código florestal brasileiro, em 1965 existe uma série de emendas portarias e decretos que possuem itens constitucionais e inconstitucionais, e os produtores rurais que vem sendo multados estão enquadrados junto com os desmatadores. “Uma coisa precisa ficar muito clara é que os produtores rurais, do Oiapoc ao Chuí, a maioria não são desmatadores. A produção rural no Brasil é uma das que mais procura preservar o meio-ambiente, estão confundindo os produtores, com madeireiros que derrubam árvores, o agricultor não tem a necessidade de derrubar árvore”, defende.

De acordo com Randerson, as reivindicações feitas por ambientalistas, pessoas e entidades contrárias à aprovação do Código Florestal, advém de uma pressão de organismos internacionais, que teriam interesses econômicos camuflados. “Essa falácia que é pregada, de que nós produtores rurais somos grandes desmatadores é uma mentira plantada por ambientalistas e ONGs internacionais que têm um interesse muito grande, que consiste na redução da produção agrícola no Brasil, essa é a grande verdade, nós somos o único país que tem condições de produzir alimentos com qualidade possuindo um compromisso social e ambiental, colocando o Brasil em uma posição de desenvolvimento. Se tivéssemos uma boa política agrícola e tudo funcionasse muito bem, o Brasil não estaria na quinta posição dos países mais desenvolvidos, estaria bem mais à frente”, garante.

Os quatro temperamentos: O melancólico


“Carolina é uma menina bem difícil de esquecer andar bonito e um brilho no olhar” (Seu Jorge)

Quem conhece Carolina, assim como Seu Jorge, não se esquece. Uma menina mulher traz a marca da delicadeza em tudo que faz. Perfeccionista, ela cuida dos detalhes para que tudo tenha um toque especial: o toque da Carolina.

Introspectiva, Carolina é muito ligada às coisas da fé e do coração, por prezar valores atemporais, já chegou a morar em uma comunidade religiosa. Ela anda de forma discreta, porém sua singeleza é foco das atenções, mesmo que essa seja sua última intenção.

Tais atitudes são comuns às pessoas que possuem o temperamento melancólico, ou seja, elas têm sensibilidade artística, pela lealdade e pelo perfeccionismo, são amigos leais e bastante analíticos.

De acordo com mestre em psicologia clínica, o psicólogo Artur Vandré, o temperamento melancólico, ao contrário do que se espera pelo nome, é ligado aos sentimentos nobres. “O melancólico pode ter um semblante às vezes de triste, mas isso não quer dizer que ele seja, esta é uma característica de calma, tranquilidade e uma pessoa mais voltada a si, apreciadora de detalhes que nem sempre as demais pessoas estão atentas”, explica.

Mesmo com essa característica introspectiva e analítica, Vandré aponta que os melancólicos têm menor propensão a doenças como depressão, já que segundo ele, as pessoas que possuem esse tipo de temperamento trazem em si valores muito arraigados como fé e família, apoiando-se nestes para superar conflitos e dificuldades.

Para o psicólogo, os melancólicos têm a grande capacidade de se apaixonarem pela vida, cultivando o sentimento das outras pessoas, possuindo ainda o dom de transformar tais sentimentos em algo que possa ser expresso em suas habilidades.

Carolina, está dentro desta perspectiva, já que cursa Relações Internacionais atraída pela paixão à vida e pelos sentimentos da humanidade. “Quando decidi cursar Relações Internacionais, ao contrário da maioria dos meus colegas, que almejam a diplomacia, eu sempre sonhei em trabalhar nas missões humanitárias da ONU; me comovo muito com a dor das pessoas que tiveram suas vidas e sonhos destruídos pelas circunstâncias e sei que de alguma forma posso ajudar”, defende.

Artur ressalta que o melancólico tem sensibilidade aflorada para os valores sociais e está muito voltado à prática da ética, sempre buscando um mundo mais correto, porém, nem sempre terá as coisas organizadas da forma que ele imagina ser certo. “Nem sempre o melancólico terá tudo organizado, muitas vezes há a busca de que as pessoas organizem o mundo da mesma forma que ele, mas isso é impossível e não dá pra se frustrar com o fato de que segundo o seu juízo, só ele faz as coisas certas e os outros não”, pondera.

Com Carolina, não poderia ser diferente, ela se lamenta por esperar muito dos outros e sofrer em consequência disso. “Sou muito sensível, sempre me apego muito às pessoas e espero delas uma resposta semelhante às que eu daria perante os fatos da vida, daí quando as coisas não acontecem como previ, me frustro”.

O complexo de inferioridade é outra característica típica do melancólico, já que ele tem a tendência de não se considerar capacitado para as tarefas que lhe são designadas. “É preciso ter a consciência de que por mais talento que se tenha, sempre haverá alguém melhor que você: mais rico, mais bonito, mais inteligente ou habilidoso, porém, a melhor forma de se viver, não é se comparando com os outros, e sim, compara-se consigo mesmo; talvez você não seja o que gostaria, mas, já não é a pessoa que era antes, isso significa crescimento, ou seja, é preciso olhar pra si e ter visão de horizonte e não assumir a posição de coitadinho para chamar atenção”, adverte Artur Vandré.

Pontos positivos:

Capacidade analítica: pode observar um projeto em todos seus aspectos para a melhor tomada de decisão, dentre outros aspectos;

Sensibilidade: percepção artística e estética do ambiente e das situações; pode contribuir para diversos tipos de atividades profissionais;

Detalhismo: capacidade de percepção de informações essenciais e observação de detalhes;

Perfeccionismo: atenção à qualidade e cuidado com a valorização de um bom trabalho.

Pontos a negativos:

Egoísta: voltado para si, pode esquecer o grupo;

Humor: cuidar para que seu humor não seja percebido pelo grupo como negativo, pois, muitas vezes, é apenas mais reservado do que os demais;

Visão Holística: pode ater-se aos detalhes e perder-se da ideia global e visão do todo.

Sociabilidade: voltado para relacionamentos individuais ou para pequenos grupos, necessita ampliar sua rede de relacionamentos.

Criticidade: seu excesso de zelo por um trabalho pode tornar-se algo excessivamente crítico e até mesmo negativo, pois torna a entrega de suas atividades morosa, atrasada ou mesmo não realizada.

Os quatro temperamentos: O fleumático


Rubens é um nome advindo do hebraico, e seu significado é relativo a uma pessoa que, por saber ouvir sua intuição, quase sempre toma as decisões mais acertadas. Coincidência ou não, o professor de língua portuguesa, que possui o mesmo nome parece ter se encaixado na definição de sua nomenclatura.

Sempre educado, Rubens se preocupa em manter um ambiente harmonioso onde quer que esteja. “Uma vantagem na minha personalidade é que não tenho inimigos, pelo menos da minha parte, não pretendo ter nenhum e, além disso, gosto muito das pessoas, talvez por isso creio que tenho muitos amigos”, alegra-se .

A tal personalidade descrita por Rubens, se enquadra no temperamento fleumático, ou seja, qualidades do pacífico, prático, bem-humorado, leal, calmo e eficiente, cumpridor de seus deveres e conservador em seus princípios.
O psicólogo Artur Vandré explica que os fleumáticos têm a característica marcante de uma calma maior que as demais pessoas. “Ele consegue ter maior tranqüilidade em casa, no trabalho, nas relações humanas e na maior parte das vezes que lhe é exigido algo, o fleumático consegue corresponder de forma centrada, pois equilibra sua razão e emoções”, destaca.

Muitas pessoas definem Rubens como uma pessoa tranqüila, fato que ele discorda, pois, se considera centrado. “Minhas decisões sempre vêm após uma reflexão, mesmo que seja breve. Para escolha de minha profissão, hoje professor, pensei e repensei sobre o assunto, não me arrependo, aliás, não me arrependo de muitas coisas; creio que seja essa a minha consistência de personalidade”, define-se.

Vandré ressalta que pessoas fleumáticas como Rubens, geralmente são reflexivas, pensam a vida e dão tempo para o processamento do pensamento, portanto, respondendo aos fatos de forma mais assertiva.

Porém, o psicólogo alerta que por refletir muito, o fleumático pode se tornar passivo e muito dependente das outras pessoas, além de correr o risco de esconder seus sentimentos na máscara da introversão.

“Não consigo em alguns momentos de alegria ou surpresa expressar meus sentimentos. Muitas vezes isso me causa constrangimento por não conseguir falar o que eu preciso dizer naquele exato momento; no meu caso alguns sentimentos são retidos, acumulados. A minha esposa chega a dizer que o mundo acabou há três dias, e hoje que eu vou manifestar a minha opinião sobre o assunto, mas é claro que luto contra isso”, analisa Rubens.




Características:


De acordo com Artur Vandré, os fleumáticos podem se destacar em profissões que precisam de senso de observação, como, psicologia, enfermagem, medicina, odontologia, salvamentos, educação, arquitetura, engenharia, laboratórios, e se bem estimulado, ele poderá exercer cargos de liderança.

Pontos Positivos:
Liderança: assume a frente de um grupo, estabelecendo o caminho que deve seguir.

Diplomacia: capacidade de estabelecer relações com qualquer nível hierárquico.

Espírito prático: voltado à ação.

Bom humor: visão positiva da vida e das situações.

Pontos a Melhorar:
Introversão: embora tenha muitas qualidades, pode escondê-las na máscara da introversão.

Desmotivado: pode ter passagens de desmotivação e acessos de falta de vontade de continuidade.

Indecisão: pode demorar a tomar uma ação e perder o tempo necessário naquela situação.

Os quatro temperamentos: O colérico


Quando criança, Helena se encantava com a movimentação e a postura das repórteres na TV. Sua brincadeira preferida era usar o desodorante da mãe, não com o intuito de se perfumar, mas ser a nova âncora do jornal, filmado com o espelho da penteadeira.

Mais de uma década se passou e a obstinada Helena, contrariando a vontade da família, que gostaria de vê-la advogada, se formou em Jornalismo. “Quando paro pra pensar qual foi o objetivo exato que me fez escolher essa profissão fico sempre pensativa, parece que ela nasceu em mim, escolhi ainda quando eu estava na 7° série, por achar que era diferente das demais, além de me identificar com tudo que existe nela”, explica.

De acordo com a qualificação dos quatro temperamentos, Helena é uma colérica, ou seja, demonstra características ligadas a uma pessoa enérgica, independente e que age de forma prática.

O colérico geralmente possui um estilo mais analítico e gerenciador, pois não tem grande habilidade para trabalhos que envolvam minúcias ou ainda alto nível de precisão. É voltado para o lado prático das coisas, tendendo a ser uma pessoa de caráter enérgico, vivaz, ativo, ardente.

O mestre em psicologia clínica, Artur Vandré, explica que o colérico é um líder nato, tomando com facilidade decisões para si mesmo como para os outros. “A liderança do colérico gera nas pessoas algumas reações como o medo, quando ele chega seus subordinados sentem um frio na barriga, ele adquire respeito e as atenções todas voltadas para ele”, destaca.

Tendendo a ser objetivo, o colérico possui muitas ambições, uma firmeza inabalável, além, de possuir um estilo genioso, impetuoso, auto-suficiente e independente. “costumo guardar os sentimentos dentro de mim e quando eu resolvo coloca-los para fora é como um terremoto para mim e para os outros. Sou desconfiada demais e gostaria de realizar tudo na minha vida em um dia e morrer no outro”, admite a colérica Helena.

De acordo com Vandré, por mais que os coléricos possuam obstinação e até um certo autoritarismo, nem sempre conseguirão tudo que almejam. “É importante que ele saiba que suas emoções vivenciadas não são o parâmetro do mundo e nem sempre será obtida a obediência das pessoas e das circunstâncias”, enfatiza.

O psicólogo ainda explica que embora o colérico possua emoções mais afloradas, e seja mais independente no pensamento e na forma de viver, suas decisões não podem controlar eternamente a vida das pessoas. “É como um pai que fala mais alto e determina os rumos da vida do filho, um dia ele terá confronto. Seu filho não aceitará seguir algumas regras impostas como usar uma roupa que não é do agrado, chegar na hora estipulada, ou até mesmo seguir a carreira determinada”, ressalta.

Artur Vandré revela que por este caráter ambicioso, líder e obstinado, os coléricos se destacam em profissões como diretores de empresas, juízes, advogados e atividades cujo senso de direção e responsabilidade estão ativados.

Os quatro temperamentos: O sanguíneo

Pouca gente sabe, mas o ser humano funciona movido a um combustível denominado temperamento. O sistema é parecido com um automóvel: alguns são abastecidos com álcool, outros com gasolina, Diesel, gás e até luz solar.

Assim como existem inúmeras variedades de combustíveis, os diferentes tipos de pessoas são abastecidos com quatro temperamentos: Colérico, Sanguíneo, Fleumático e Melancólico.

Da mesma forma que o combustível define o funcionamento do automóvel, os temperamentos influenciam todas as formas de atitude humana, desde os hábitos do sono, alimentação, até a condução das relações interpessoais.

O pai da medicina, Hipócrates, que viveu entre 460-377aC, já estudava esses temperamentos e os relacionava com os quatro elementos da natureza “fogo, ar, água e terra”. Porém, somente com o advento da psicanálise esse conceito voltou a ser estudado e remodelado.

Vamos falar sobre cada temperamento, durante quatro posts, revelando esta influência eficaz e desconhecida. As fotos que ilustram as matérias são de minha autoria.

Sanguíneo:
Marina (nome fictício) é o tipo de pessoa que você gostaria de ter a amizade. Estudante de comunicação social, ela é extrovertida, adora contar piadas e reunir os amigos para assistirem um filme nas noites de sábado.

Todos medem seu humor através das piadas: se Marina já chega contando as habituais anedotas, o sinal é de que ela está feliz, porém, se estiver mais calada e dando respostas ríspidas, os amigos já sabem que algo acontecera.

Na classificação dos quatro temperamentos, Marina poderia ser considerada sanguínea, ou seja, dentre outras características é comunicativa, amável, generosa, porém, é volúvel, indisciplinada e impulsiva.

Assim como ela, os sanguíneos têm em seu estilo pessoal calor e profundidade em suas emoções, além da ação dinâmica, estilo vibrante, decisivo e falante. Seu estilo pessoal ainda indica sinceridade, entusiasmo e companheirismo para todas as horas e desinibição.

De acordo com o psicólogo Artur Vandré, o sanguíneo tem maior dificuldade para se descobrir como tal, pois sua capacidade de auto-análise e introspecção são reduzidas. “Para auxiliar no processo de autoconhecimento é muito importante dialogar com outras pessoas e ouvir o que elas têm a dizer sobre você, além de leituras e programas que estimulam o olhar para si”, destaca.

O sanguíneo é impulsivo e realiza muitos atos impensados, podendo ter uma coragem que camufla a pessoa medrosa que realmente é. Muitas vezes ele fala demasiadamente e não mede as conseqüências de seus atos. “Às vezes no calor das emoções falo muitas coisas que não gostaria para minha mãe, ou meu irmão, mas me arrependo rápido e logo faço as pazes”, explica a sanguínea Marina.

Para Artur Vandré, o comportamento impulsivo e a tendência de não cumprir compromissos podem ser educados e revertidos, através do autoconhecimento. “É necessário ter uma gestão do tempo, priorizar o mais importante, não abraçar mil coisas ao mesmo tempo e acima de tudo fazer uma observação de si mesmo”, ressalta.
O psicólogo explica que os sanguíneos podem se destacar em profissões que envolvam contato público, como vendedores, comunicadores, professores, advogados, atores e até políticos.

PONTOS POSITIVOS:

Capacidade de Comunicação: extrovertidos, falantes e dotados de grande facilidade de comunicar-se e fazer com que o público volte sua atenção para eles.

Empatia: coloca-se no lugar do outro, dotado de grande compaixão e sensibilidade por pessoas e suas causas.

Relacionamento Interpessoal: estabelece, com facilidade, relacionamento com os demais.

PONTOS NEGATIVOS:

Impulsividade/Precipitação: age com imediatismo, necessitando dosar e canalizar esta ação de forma positiva e ser mais comedido em algumas situações.

Indisciplina: adotar métodos em suas ações para que não sejam vagas.

Egocentrismo: cuidar para que suas ações não sejam feitas ao seu favor.

Instabilidade emocional: reage de forma muito emocional.