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Jornalista Lula seria demitido


Lula pode ser o presidente mais popular da história do Brasil, com alto prestígio internacional. Pode até eleger uma sisuda burocrata, que nunca teve nenhum voto, para o seu lugar. Mas, como jornalista, seria demitido rapidamente. Isso se seguisse seu manual particular de jornalismo.

Nos últimos tempos, o presidente tem dito coisas como: o papel do jornalista não é fiscalizar, mas sim informar. Chegou a pedir aos repórteres que não "interpretassem" um fato, afirmando que eles deveriam apenas relatá-lo friamente. Cada vez se incomoda mais com os "formadores de opinião", pessoas que, justamente, têm a missão de analisar.

No mais, Lula diz, até com certa ponta de orgulho, que não lê jornal --assim não se incomoda em afirmar que não gosta de ler livros, que, segundo ele, dão sono.

Todas essas manifestações não teriam maior importância e fariam parte do costume presidencial de falar, sem pensar, o que lhe passa na cabeça. O que me preocupa é ver cada vez mais a irritação com a diversidade e com os mecanismos de controle da sociedade.

São os ataques seguidos ao TCU, o desdém com advertências dos juízes sobre as viagens eleitorais, e a tentativa de interferência em empresas privadas.

Pelo jeito nada disso coloca em risco sua estupenda popularidade, mas coloca em risco a imagem de alguém que reverencia a democracia, que, sem mecanismos de controle (e a imprensa é um deles), não funciona.

BY: GILBERTO DIMENSTEIN

Voyager Mayonnaise


Após um árduooo período de reflexão...
Cheguei às ilustres conclusões para o ilustre professor de Opinão Pública!

Uma verdadeira "Voyager mayonnaise"....
Confiram abaixo:


voyager mayonnaise parte 2


Toda briga machuca. Se esta não atinge o nível de agressão externa, o interno é profundamente machucado, tornando por ora mais prejudicial (e profunda) esta última forma de insulto. Portanto a afirmação de que é possível brigar sem se machucar bastando soltar o corpo não condiz com a veracidade dos fatos, pois, quando se solta o corpo, perde-se o domínio do equilíbrio vital de si (essencial em uma briga), tornando-se mais susceptível à queda e por conseqüência machucando-se de forma brutal e inesperada.

O corpo envolvente nos processos de coerção acima citados é nomeado como “dimensão erótica” que é refutado pela “razão intelectualizada”. Segundo Marcus Minuzzi, tudo que é corpo a razão nega; via de regra conduzir a massa pelo corpo é mais fácil, ou seja, o denominado erótico é mais atrativo por sua superficialidade, desobrigando a sociedade de exercer seu papel de questionadora e pensante. Em poucas palavras, o erótico torna-se a anestesia da razão.

Adorno, Habermas e Horkheimer, pensadores da Escola de Frankfurt são ícones da “razão intelectualizada”, eles foram taxados de pessimistas com relação ao destino da humanidade, visto que eles realmente apresentam uma visão negativa sobre uma sociedade sustentada pela razão instrumental (dimensão erótica). Na sua concepção, a libertação e a autonomia humana dependem da transformação da razão que predomina na sociedade ocidental, ou seja, a solução consiste na conversão da razão instrumental em razão reflexiva e crítica. Essa é, segundo eles, a única maneira de superar a crise da racionalidade moderna.

A mulher para muitos é superficial, pois é a tradução do erótico, acusado pelos pensadores frankfurtianos. Porém, a mulher na sociedade é tratada como uma questão de “rótulos”. Simone de Beauvoir afirma que não se nasce mulher: torna-se. O que torna alguém mulher? Fora criada por uma sociedade machista uma estrutura para moldar e definir este termo. A mulher fora figurada para adquirir feições femininas segundo o conceito de feminilidade criado por homens. Portanto, a maior superficialidade é dos criadores do termo feminino na sociedade.

Em resumo, a sociedade é regida conforme as leis de um suserano supremo que cria as normas e costumes a serem seguidos e a verdade que lhe condiz. Tal verdade é refutada e questionada, pois não esta não é absoluta, gerando o processo de briga e afrontamento que por conseqüência deixa marcas e feridas. O corpo, que agride e é agredido é denominado como dimensão erótica, que é excluído do processo de criação da razão. Este corpo é equiparado à mulher, onde esta adquire o rótulo de superficial, o que é desmascarado pela imposição do papel “feminino” criado pelo homem, sendo, então, este o ser superficial. Portanto, o soberano pondera suas considerações criando e recriando seus conceitos de como deve ser vigorar a sociedade, esta erotizada ou não.

voyager mayonnaise- Parte 1

Caricatura do pensador Jürgen Habermas.



“(…) Nasce daí uma questão: se é melhor ser amado que temido ou o contrário. A resposta é de que seria necessário ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito mais seguro ser temido do que amado. Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho”
MAQUIAVEL, N. O Príncipe. In: Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 2000.


O renascentista Nicolau Maquiavel afirmava no século XIV que o respeito se consegue por meio da prática do medo. Tal pensamento pode traduzir atos da sociedade contemporânea, marcada pelas ações da “democrática” ação do príncipe moderno.

A insurgência de rebeliões, ou reivindicações que ameaçam a soberania do cedro real, obriga o detentor do poder se comportar de forma ameaçadora para que seus interesses não sejam derrubados e a coroa continue simbolizar a realeza por ele exercida.

Para maquiar as repressões de poder, o príncipe, em sua sociedade democrática, assimila as ações da ágora grega: o espaço oval público onde “todos os cidadãos” tinham direito ao voto. Porém quem eram tais cidadãos? Eram os adultos, filhos de pai e mãe atenienses, ou seja, esta forma democrática excluía as mulheres, estrangeiros e escravos. O Príncipe pratica a democracia grega.

Tal como o verbo, o príncipe busca assemelhar-se à metodologia da “palavra pura” no ato de abaixar-se e riscar o chão. "Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão” (João 8- 6b). No mesmo contexto da escrita na superfície, o mestre revela que se alguém conhecer a verdade esta o libertará (João 8, 32) e em outro momento afirma que a verdade absoluta está inscrita em si próprio (João 4, 6). O príncipe convicto de não possuir caráter divino e por considerar tal feito monótono, aposta no carisma como arma de persuasão para a verdade (absoluta) transcrita a seus súditos.

Contrapondo-se a este pensamento, o filósofo Jürgen Habermas em sua obra “Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade” (Faktizität und Geltung), afirma que a pretensão à verdade levantada precisa ser criticável e aberta a possíveis objeções para fazer jus a um acatamento racional da comunidade interpretativa. Já Friedrich Nietzsche refuta a existência do absoluto. “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas”.

O dicionário define o verbete “coesão” como qualidade de uma coisa em que todas as partes estão ligadas umas às outras. Se considerarmos a verdade líquida e não absoluta (como a proposta por Habermas e Nietzsche) a coesão é inexistente. Portanto, na sociedade o processo coesivo é nulo por conseqüência das inúmeras verdades e arrogâncias adquiridas ao longo do processo de formação pessoal do indivíduo, impedindo-o de conhecer e discutir outras formas de verdade.

Habermas conclui que é por meio da estrutura lingüística da comunicação que seria possível articular o sentido entre mundo e comunidade de interpretação, pois só há sentido no discurso em um mundo se seus membros compreendem a si próprios e quando há compreensão deste intersubjetivamente.

O poeta haitiano Georges Sylvain conseguiu representar bem o conceito da falta de coesão social, que embora seja direcionada ao Haiti é cabível aos moldes de qualquer sociedade ou (no sentido Habermasiano) mundo. “Surpreende-nos a falta de coesão de nossa sociedade. Falta-nos a noção de conjunto por não nos conhecermos uns aos outros, tanto quanto nos falta persistência. O presente desconhece o que foi o passado, e, o que é mais curioso, desconhecemo-nos de uma cidade para outra”.

Deste desconhecimento citado por Sylvain e do uso da arrogância, surgem as contendas sociais. A contenda machuca e fere. Um orgulho ferido gera processos como a insurreição do nazifacismo, cumulando de castigos a sociedade. O criador no nazismo, Adolf Hitler expressa bem tal preposição por meio desta reflexão: Quando o coração humano se parte e desespera, do crepúsculo do passado os grandes conquistadores da agonia e preocupação, da desgraça e miséria, da escravidão espiritual e compulsão física, o desprezam e estendem suas mãos eternas para os mortais desesperados.