Os quatro temperamentos: O sanguíneo

Pouca gente sabe, mas o ser humano funciona movido a um combustível denominado temperamento. O sistema é parecido com um automóvel: alguns são abastecidos com álcool, outros com gasolina, Diesel, gás e até luz solar.

Assim como existem inúmeras variedades de combustíveis, os diferentes tipos de pessoas são abastecidos com quatro temperamentos: Colérico, Sanguíneo, Fleumático e Melancólico.

Da mesma forma que o combustível define o funcionamento do automóvel, os temperamentos influenciam todas as formas de atitude humana, desde os hábitos do sono, alimentação, até a condução das relações interpessoais.

O pai da medicina, Hipócrates, que viveu entre 460-377aC, já estudava esses temperamentos e os relacionava com os quatro elementos da natureza “fogo, ar, água e terra”. Porém, somente com o advento da psicanálise esse conceito voltou a ser estudado e remodelado.

Vamos falar sobre cada temperamento, durante quatro posts, revelando esta influência eficaz e desconhecida. As fotos que ilustram as matérias são de minha autoria.

Sanguíneo:
Marina (nome fictício) é o tipo de pessoa que você gostaria de ter a amizade. Estudante de comunicação social, ela é extrovertida, adora contar piadas e reunir os amigos para assistirem um filme nas noites de sábado.

Todos medem seu humor através das piadas: se Marina já chega contando as habituais anedotas, o sinal é de que ela está feliz, porém, se estiver mais calada e dando respostas ríspidas, os amigos já sabem que algo acontecera.

Na classificação dos quatro temperamentos, Marina poderia ser considerada sanguínea, ou seja, dentre outras características é comunicativa, amável, generosa, porém, é volúvel, indisciplinada e impulsiva.

Assim como ela, os sanguíneos têm em seu estilo pessoal calor e profundidade em suas emoções, além da ação dinâmica, estilo vibrante, decisivo e falante. Seu estilo pessoal ainda indica sinceridade, entusiasmo e companheirismo para todas as horas e desinibição.

De acordo com o psicólogo Artur Vandré, o sanguíneo tem maior dificuldade para se descobrir como tal, pois sua capacidade de auto-análise e introspecção são reduzidas. “Para auxiliar no processo de autoconhecimento é muito importante dialogar com outras pessoas e ouvir o que elas têm a dizer sobre você, além de leituras e programas que estimulam o olhar para si”, destaca.

O sanguíneo é impulsivo e realiza muitos atos impensados, podendo ter uma coragem que camufla a pessoa medrosa que realmente é. Muitas vezes ele fala demasiadamente e não mede as conseqüências de seus atos. “Às vezes no calor das emoções falo muitas coisas que não gostaria para minha mãe, ou meu irmão, mas me arrependo rápido e logo faço as pazes”, explica a sanguínea Marina.

Para Artur Vandré, o comportamento impulsivo e a tendência de não cumprir compromissos podem ser educados e revertidos, através do autoconhecimento. “É necessário ter uma gestão do tempo, priorizar o mais importante, não abraçar mil coisas ao mesmo tempo e acima de tudo fazer uma observação de si mesmo”, ressalta.
O psicólogo explica que os sanguíneos podem se destacar em profissões que envolvam contato público, como vendedores, comunicadores, professores, advogados, atores e até políticos.

PONTOS POSITIVOS:

Capacidade de Comunicação: extrovertidos, falantes e dotados de grande facilidade de comunicar-se e fazer com que o público volte sua atenção para eles.

Empatia: coloca-se no lugar do outro, dotado de grande compaixão e sensibilidade por pessoas e suas causas.

Relacionamento Interpessoal: estabelece, com facilidade, relacionamento com os demais.

PONTOS NEGATIVOS:

Impulsividade/Precipitação: age com imediatismo, necessitando dosar e canalizar esta ação de forma positiva e ser mais comedido em algumas situações.

Indisciplina: adotar métodos em suas ações para que não sejam vagas.

Egocentrismo: cuidar para que suas ações não sejam feitas ao seu favor.

Instabilidade emocional: reage de forma muito emocional.

A quem interessa a greve 2?


Sempre que se fala em greve procura-se duas fontes: o sindicato e o governo. A versão desses dois pólos é importante, pois figuram as decisões que acarretam mudanças na vida de milhares de pessoas. Mas e essas outras milhares de pessoas, o que elas têm a dizer? Qual é a realidade que experimentam, longe dos conclaves de poder e ideologias?

Enquanto os olhares muitas permanecem apenas ao debate ideológico do plano de carreira, a verdadeira indagação é: Quem é o maior prejudicado com esses 30 dias de paralisação?

Carol Miranda, 16 anos, estudante do 2° ano no colégio Hely Alves: Ela quer passar no vestibular

Em dois anos, Carol passou por duas greves. A adolescente estudava no Instituto Federal de Goiás (IFG), que paralisou as atividades letivas por 60 dias no ano passado, e insatisfeita com essa realidade se transferiu para o Colégio Estadual Hely Alves, que por ironia foi um dos únicos que aderiu à greve da educação.

Embora ela apóie a causa dos professores, o sentimento de impotência diante dessa situação a entristece. “Me sinto pésima, pois ja é a segunda vez que isso acontece comigo¬ e me atrapalha totalmente,¬ eu sei que vou repor as aulas, mas isso pode acabar me deixando atrasada¬ porque, os professores passarão tudo às pressas¬ pra nós não ficarmos durante as férias”, lamenta.

Advinda do ensino fundamental em colégios particulares, Carol disse que sente a diferença latente e se preocupa com a forma que disputará uma vaga no concorrido vestibular e com acontecimentos como a greve, a disputa será desleal. “No colégio particular¬ os professores te preparam para o vestibular¬, já no colegio publico os professores só querem passar a matéria, quem gosta da greve é só aluno que não quer nada ”, detaca.

A estudante disse que não tem em mente o plano se seguir uma carreira de docente em escolas estaduais, mas, que se isso ocorrer, escolherá bem seu patrão, através do voto. “Os professores não tiveram culpa do governador ter prometido uma coisa e ter feito outra¬, ele precisa reconhecer o quanto está errado”, posiciona-se.
Questionada sobre quem é o maior prejudicado com a greve, Carol não titubeia em dizer que os alunos que têm ambição de um dia serem alguém e construirem um futuro pagarão por essa briga do Sintego e governo.

Bruno Roger Silva, 23, ex-professor: A docencia foi uma decepção

Alunos semi-alfabetizados, deficientes, usuários de drogas, entre outros. Salas utilizadas em sua lotação máxima, chegando a 45 alunos por turma, o que somado ao desinteresse e indisciplina, muitas vezes inviabiliza uma educação de qualidade. A inclusão, que é a insersão de alunos com as mais variadas deficiências em salas de aula regulares, sem o devido treinamento com os docêntes para lidar com estes, requer um tratamento diferenciado com adaptação de atividades e provas, causando transtornos tanto para “inclusores” quanto os “incluídos”, que às vezes se sentem rejeitados.

Essa é a realidade que o professor de português, inglês e espanol, Bruno Roger encontrou diante de um ano três meses de profissão. Desiludido, ele mudou totalmente de direção e assumiu na última quarta-feira (7), a carreira bancária.
Bruno, não é filiado ao Sintego, mas diz apoiar a causa dos professores, embora, lamente que reivindicações apareçam em ano eleitoral. “Infelizmente, apesar de acreditar que realmente a categoria dos professores devem reinvindicar seus direitos e que a forma como essa "reforma educacional" foi feita é no mínimo suspeita e estranha, acredito que não o sindicato, mas pessoas ligadas ao SINTEGO estejam querendo sim projetar seus nomes no cenário eleitoral”, acredita.

Para o ex-professor, a greve é uma guerra sem vencedores. “Todos sairam perdendo. De um lado os professores, ao meu ver os mais prejudicados, que, além de terem perdido a titularidade que consideravam um direito adquirido, perderam também o salário do mês de fevereiro que é, em muitos casos, a única fonte de renda da família e ainda terão que repor as aulas perdidas. De outro os alunos, que apesar muitos se sentirem felizes pela "folga", deixam de estudar e, tal qual os professores, deverão repor esses dias perdidos durante o mês de férias (julho). E por fim o governo, que julgo o menos prejudicado, que se vangloriava do seu "Pacto pela Educação" e se viu forçado a repensar suas estratégias para o Estado. No final, quem perde é a Educação em Goiás que mais uma vez foi tratada com descaso por nossas autoridades, que deviam olhar com mais carinho para esse bem tão importante para o futuro da sociedade”, defende.



A quem interessa a greve da educação?




“Os professores querem ganhar mais e mais”

Completando os 33 dias de greve dos profissionais da educação no estado, o deputado José de Lima do PDT comentou o assunto, demonstrando seu posicionamento quanto aos momentos de negociação que o poder público teve com a líder classista Ieda Leal, presidente do SINTEGO.

Em reunião com o governador Marconi Perillo nessa semana, o Deputado afirmou que as propostas em torna do tema da volta ao regime anterior, no qual os professores tinham uma gratificação pela titularidade. Segundo José de Lima não há possibilidade de os professores serem regidos pelo sistema anterior “é muito difícil o Governador voltar a titularidade, porque ele quer implantar outro sistema, por isso é possível que o sistema não volte a ser o que era antes” afirma.

Na mesma reunião foi acordado que uma comissão formada por 4 pessoas dentre elas a presidente do SINTEGO, um deputado, membro do Ministério Público e um membro da Secretaria de Educação do Estado; farão as analises viáveis para a formatação de uma solução definitiva, afim de que a greve chegue ao fim.

O deputado ressaltou que a categoria está resistente na aceitação das propostas do Governo “eles não são maleáveis, só para voltar a gratificação da titularidade. E foi o próprio Governador que criou a titularidade, mas através de pesquisas se constatou que não houve avanço algum na educação, por isso ele quer retirar e mudar o sistema de avaliação do professor” completou José de Lima.

Para o deputado a questão não se encontra apenas na reposição salarial, mas em acrescentar o salário dos professores “os professores querem ganhar mais e mais, o governo já deu aumento de 16%, mais que o município que deu apenas 6,4% de aumento para os professores”. Para ele quem mais sofre com a greve são os alunos e as famílias “quem mais tem perdido com essa greve são os alunos e as famílias de Goiás, que não tem como resolver o problema”.



"A Titularidade é um direito"


Com a aprovação de uma lei que prevê o achatamento da carreira e a incorporação das titularidades aos vencimentos como forma de se criar pagamento do Piso Salarial, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (SINTEGO) entrou em greve geral desde o dia 6 de fevereiro.

De acordo com o Sintego, caso o Plano de Carreira anterior fosse mantido, o professor com licenciatura e com gratificação por titularidade de 30%, estaria recebendo R$ 2.877,21. Com o plano atual, haverá um reajuste de apenas 1,7% e receberá R$ 2.016. Ou seja, o professor vai ter redução salarial. No exemplo citado, vai ser de R$ 861. O professor vai demorar nove anos para recuperar esse prejuízo.
A entidade ressalta que o problema se agrava se considerado que os professores terão reajustes diferentes, dependendo do porcentual de gratificação por titularidade. Ou seja, quanto mais cursos o professor tiver, menor será seu reajuste salarial com as mudanças no plano de carreira.

A gratificação por Mestrado e Doutorado caiu, o docente que tiver e respectivamente, de 40% e 50% sobre o vencimento receberá apenas 10% e 20%. Além disso, os professores que ainda não tinham essa gratificação, não terão mais nenhum incentivo salarial de recompensa pela capacitação.

O sindicato enfrentou lutas judiciais referentes ao impedimento da paralisação, e os educadores que aderiram à greve da rede estadual em defesa da recuperação de seus direitos tiveram o ponto cortado em 16 dias. Educadores que estavam afastados por licença médica ou maternidade, mesmo que não estivessem nos movimentos grevistas, se pertencessem aos quadros das escolas que aderiram ao movimento do Sintego tiveram o salário cortado como os demais.

A maior incógnita é a reposição das aulas, já que o Estatuto do Magistério impede que isso aconteça, uma vez este é o mês de férias dos professores. “A informação da Seduc de que a reposição das aulas ocorrerá em julho é mentirosa. Não pode ocorrer neste mês. É mais uma mentira do secretário para reprimir os docentes, criando conflito dentro da comunidade escolar”, diz a nota de repúdio do movimento.

Outra denúncia recorrente feita pelo Sintego é a de que os educadores que fazem parte do movimento paredista estão enfrentando a perseguição da política das subsecretarias estaduais de Educação.

A presidente do sindicato, Ieda Leal, ressalta que os professores e funcionários administrativos da educação, não podem perder mais e acusa o secretário estadual Thiago Peixoto, de inviabilizar o diálogo com a categoria para o fim da greve.

Doença dos pobres?


Doenças negligenciadas são doenças que prevalecem em condições de pobreza e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) afetam cerca de 1 bilhão de pessoas em 149 países do mundo, de forma silenciosa e propiciadora à manutenção nos quadros de desigualdade social.

O termo “doenças negligenciadas” nasceu em 1970, por um programa da Fundação Rockefeller e termo tem sido desde então utilizado para se referir a um conjunto de doenças causadas por agentes infecciosos e parasitários (vírus, bactérias, protozoários e helmintos) que são endêmicas em populações de baixa renda.

De acordo com o médico Roberson Guimarães, embora existam estudos para financiar pesquisas relacionadas a estas doenças, o conhecimento produzido não se reverte em avanços terapêuticos, como novos remédios, métodos de diagnósticos mais avançados e vacinas. “Essas doenças são típicas de população mais carente de países subdesenvolvidos, então a grande indústria famarmaceutica, não tem muito interesse em produzir produtos para atender esses doentes”, destaca.

Uma das metas do milênio da Organização das Nações Unidas (ONU) é o combate dessas enfermidades, que atingem principalmente a população marginalizada. No Brasil, existe a incidência de males como dengue, doença de Chagas, leishmaniose, malária, esquistossomose, hanseníase e tuberculose.

Em 2006, o governo lançou o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Doenças Negligenciadas no Brasil, no âmbito da parceria do Ministério da Saúde com o Ministério da Ciência e Tecnologia e Secretaria de Vigilância em Saúde. Por meio de dados epidemiológicos, demográficos e o impacto da doença, foram definidas prioridades de atuação que compõem o programa em doenças negligenciadas.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde lançou a liberação de R$ 25,9 milhões para ações de controle das doenças negligenciadas, para os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal, com foco em ações de vigilância epidemiológica.

Para Roberson Guimarães, essa verba parece muito alta, mas não é, pois, quando se faz a distribuição regional, Goiás, por exemplo, receberá R$ 1 milhão para o estado inteiro atingindo principalmente as ações de vigilância e a distribuição foi maior para estados onde as situações de endemia são mais graves.


Saiba mais sobre as doenças negligenciadas:

DENGUE: A Dengue e a Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) são causadas por quatro sorotipos do vírus estreitamente relacionados com a família Flavivirus. A infecção é mais comum nas Américas e Ásia e em outras regiões tropicais e é transmitida ao homem pela picada de mosquitos infectados. Os sintomas incluem dores de cabeça, febre, dores nas juntas e músculos, e uma erupção cutânea característica.
CHAGAS: A doença de Chagas é encontrada apenas na América Latina. Foi nomeada por Carlos Chagas, um médico brasileiro quem primeiro descreveu a doença em 1909. Ele também descreveu o ciclo de vida do parasita, identificou os insetos que transmitem o parasita, os mamíferos de pequeno porte que atuam como hospedeiros e os meios sugeridos para auxiliar na prevenção e controle.

LEISHMANIOSE: Doença causada por protozoários parasitas do gênero Leishmania transmitida por meio da picada de certas espécies de flebotomíneos. Os sintomas da infecção incluem feridas na pele, febre, anemia e danos ao fígado e baço. A forma mais grave da doença, a leishmaniose visceral, ocorre quando os parasitas migram para os órgãos vitais do corpo. Atualmente, cerca de 90% dos casos de leishmaniose na América Latina ocorrem no Brasil.

MALÁRIA: A malária é considerada uma das mais graves infecções parasitárias da humanidade. Presente em 110 países do mundo, a malária ameaça metade da população mundial. A cada ano, 350-500 mil casos ocorrem em todo o mundo, principalmente no continente africano. Causada pelo parasita Plasmodium, a malária é transmitida de pessoa a pessoa através da picada de mosquitos Anopheles. Há quatro espécies de plasmodium, sendo que o P. falciparum é o mais agressivo.

ESQUISTOSOMOSE: A esquistossomose, também conhecida como bilharzíase ou "febre do caramujo", é uma doença parasitária, transmitida por caramujos infectados com uma das cinco variedades do parasita Schistosoma. A infecção tem ampla distribuição no hemisfério sul, com uma relativa baixa taxa de mortalidade, e alta morbidade, causando doença grave, debilitando milhões de pessoas ao redor do mundo.

TUBERCULOSE: Doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas, também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). É causado pelo Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch (BK). Outras espécies de micobactérias também podem causar a tuberculose. Aproximadamente um terço da população do mundo está infectada com o bacilo da tuberculose. A tuberculose é a principal causa de morte de pessoas que estão infectadas pelo HIV, devido ao enfraquecimento das defesas imunológicas.

HANSENÍASE: Doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos. O nome hanseníase é devido ao descobridor do microrganismo causador da doença Gerhard Hansen. É transmitida por gotículas de saliva. O bacilo é eliminado pelo aparelho respiratório da pessoa doente na forma de aerossol durante o ato de falar, espirrar ou tossir. É endêmica em certos países do hemisfério sul, em particular na Ásia. O Brasil inclui-se entre os países de alta endemicidade de hanseníase no mundo.

Mulheres marcadas



A auxiliar de serviços gerais, Isailda Rezende de Carvalho comemoraria nesta quinta-feira (8), o 46° dia das mulheres. Receberia o abraço dos filhos, amigos e do companheiro, Sandoval de Jesus, mas foi impedida.


O dia 26 de fevereiro parecia mais um domingo normal na rotina de Isailda, exceto por mais uma das brigas com o companheiro, que após passar o dia no bar, a executou de forma cruel, brutal e covarde. Ela morreu de forma instantânea, por consequência das dezenas golpes de faca que perfuraram todo o corpo.


Isailda não é a única, dados da Central de Atendimento à Mulher da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) de 2011 registraram que foram realizados em 2009, 401.729 atendimentos denunciando agressões contra a mulher. Em 2010 este número foi 734.416 atendimentos, aumento de 82,8%. De abril de 2006 a dezembro de 2010 foram 1.658.294 atendimentos.


Dos 734.416 registros ocorridos em 2010, 108.026 dizem respeito a relatos de violência, 63.831 referem-se à violência física, 27.433 à violência psicológica, 12.605 à violência moral, 1.839 à violência patrimonial, 2.318 à violência sexual, 447 a cárcere privado, e 73 a tráfico de mulheres. De acordo com os atendimentos, 58,1% das vítimas são agredidas diariamente, 38% relatam sofrer violência desde o início da relação, 71,5% das vítimas moram com o agressor, 65,5% convivem com seu algoz há mais de dez anos, e 51,3% dos casos, a mulher diz correr risco de morte, como no caso de Isailda. Os dados relatam ainda que os filhos presenciam ou sofrem violência junto com a mãe em 84,2% das situações.


Em briga de marido e mulher...


Casos como o da auxiliar de serviços gerais, podem ser explicados através de uma pesquisa inédita sobre violência contra a mulher promovida pelo Instituto Patrícia Galvão revelando que, embora a violência seja abominada por cerca de 90% da população, o velho ditado “em briga de marido e mulher não se mete a colher” ainda tem boa aceitação de 66%.


Porém, uma decisão tomada no dia 9 de fevereiro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) torna mais complicada a situação dos homens que agridem as mulheres no ambiente doméstico. Ao analisarem a Lei Maria da Penha, os ministros do STF concluíram que a abertura de ação criminal contra o responsável pela lesão corporal não está mais condicionada a uma representação da vítima. Ou seja, o processo poderá ser aberto mesmo se a mulher não prestar queixa.


Para a titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), Aline Vilela, esta decisão do STF, vem quebrar um tabu. “Nosso país é de uma cultura patriarcal e várias pessoas querem reprivatizar a violência doméstica, afirmam que nem o Judiciário, a polícia, ninguém pode entrar nesse mérito, pois este é um âmbito do casal em quatro paredes. Essa é uma cultura persistente por longos anos, e que 9 de fevereiro foi um marco, e o STF disse totalmente ao contrário, em briga de marido e mulher, o Estado vai meter a colher, sim”, enfatiza.


A delegada explica que antigamente os crimes de lesão corporal leve dependiam de uma representação da vítima, ou seja, ela precisava ir à delegacia, noticiava o fato em um boletim de ocorrência e assinava um termo de representação, que é a manifestação de vontade para que o agressor fosse processado. Atualmente não é mais preciso a representação da vítima, e se houver a notícia de que alguma mulher está lesionada, o Estado pode agir, através de uma denúncia do Ministério Público (MP), além de que na fase judicial, a agredida não terá o poder de retirar a representação assinada anteriormente.


Marcadas pelo passado


Nair (84) é mãe de quatro filhos e durante 15 anos sofreu calada toda espécie de agressões por parte do marido. Em meados da década de 50 e 60, uma época onde o divórcio era considerado abandono do lar (somente em 1977, o Estado reconheceu essa legitimidade), ela respirava violência. Era xingada por toda espécie de nomes de baixo calão, chegou ser ameaçada com arma de fogo, porém, o mais comum era apanhar com o sapato de salto, aquele que usava nos eventos da “sociedade”, para tornar-se uma mulher elegante e dona de casa realizada.


As agressões eram cada dia piores, levando o juiz e o bispo da cidade onde morava, reconhecerem a gravidade da situação, dando-lhe uma carta de legitimação da separação do casal. Mesmo com esse reconhecimento de liberdade e do divórcio oficial anos depois, até a morte do ex-marido em 2009, Nair preferiu não retirar o sobrenome do agressor de seus documentos de identidade.Atualmente, a mentalidade da população tem mudado.


De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope, a idéia de que a mulher deve aguentar agressões em nome da estabilidade familiar é claramente rejeitada pelos entrevistados (86%), assim como o chavão em relação ao agressor: “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, que é rejeitado por 80% dos entrevistados.


Com relação ao chavão conformista “ele bate, mas ruim com ele, pior sem ele”, há diferenças significativas e culturalmente relevantes: as mulheres (83%) tendem a rejeitar mais do que os homens (76%); os mais jovens (83%), mais do que os mais velhos (68%).


O direito de reviver


Há duas semanas, uma mulher se recuperava de um procedimento cirúrgico que retirou o seu útero, os filhos estavam na escola e ela estava sozinha em casa. O ex-marido aproveitou a ocasião de fragilidade, entrou na residência sedou a ex-companheira, e de forma cruel, a violentou, arrebentado todos os pontos da barriga.


De acordo com a delegada Aline Vilela, episódios como esse são recorrentes em Anápolis, além dos casos de tentativa de homicídio, lesão corporal grave, como substâncias jogadas nos olhos com intuito de cegar, porém, os casos preponderantes são os crimes contra a honra e ameaça.


Mulheres que têm sua dignidade violada precisam de auxílio para retomar a vida. Trabalhos realizados, como os da ONG, “Radassa” e ações da Diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres, transformam realidades pisoteadas, dando-lhes um novo sentido.


De acordo com a diretoria de Políticas Públicas para as Mulheres, Erondina de Moraes, o trabalho realizado, vem atender ao clamor da mulher violentada e agredida, que não tinha um lugar onde reclamar. “Na delegacia ela registra a ocorrência, ela vê seu algoz ser processado ou não, mas não tinha um respaldo pra isso. No nosso espaço, ela tem a garantia de atendimento social, jurídico, apoio psicológico, além de ter um abrigo para si e seus filhos”, destaca.


Por anos, a luta contra a violência doméstica foi considerada impossível e as mulheres condenadas, a viver sob a escravidão de um algoz. Porém, como em todo processo histórico, a bandeira do respeito e igualdade vem sendo erguida.


As mulheres cada vez mais se conscientizam que violência não é sinal de amor excessivo e não se contentam em viver mediante à tristeza e o abandono. Elas vivem o poema de Adélia Prado, “minha tristeza não tem pedigree, mas a vontade de alegria tem uma raiz que vai até o meu mil avô”.

Cansaço


Já passa da meia noite...


Eu estou aqui sentada, esperando pacientemente um CD baixar (sim eu cometo atos ilegais).
Já é minha milésima tentativa frustrada de escrever, simplesmente sentar e escrever.

Não sei se o tardar do tempo favorece a minha atual conjuntura, porém, percebo que estou tibiamente cansada.
Cansada das manobras, da falsidade, daquele discurso tão abstrato que se perde entre palavras vazias.

É do vazio que estou cansada, dos egos, das máscaras, dos sorrisos caricaturados, das adjetivações pobres de rima e prosa.

Hoje, talvez eu esteja monossilábica, saudosista, presa, ou apenas cansada, muito cansada.

Me ensinaram a não mentir, a demonstrar minhas verdades, mas por hora fico com esse cansaço velado, solitário que somente o tempo possui o poder curador de descansar!

Tudo vai passar...

Fatal!


Hoje me obriguei escrever. É assim que tenho me tratado ultimamente: me obrigado!
Sinto falta de trocar palavras, como um bêbado troca as pernas, um tanto sem noção cambaleia, cambaleia e errante acaba chegando em algum ponto inesperado da sarjeta para em fim dormir tranqüilo, ser assaltado, violado e etc...

Assim atua em mim o rumo das palavras. Digito pela obrigação alcoólica que me é imposta. O que acontece depois eu desconheço, só acordo em um estado de semi-lucidez procurando nos bolsos da calça surrada onde estão os últimos centavos que apostei em mim.

O bêbado sabe que a cachaça não presta, ele sofre de cirrose, gastrite, dor de cabeça, um odor lastimável e aparência que causa asco, mas mesmo assim, consegue enxergar o brilho mágico das garrafas, o cheiro inebriante da cana, o sabor deste elemento líquido antes de ser provado já lhe denota uma alegria mórbida desconhecida, porém irresistível.

E assim acontece comigo, tenho certezas agarradas, grudadas como o odor alcoólico, sei que não deveria escrever, sei que minhas palavras causam estranheza, mas a força da sintaxe cintila ante meus olhos e não consigo deixar o vício fatal que esta me esfrega à face.

Dizem que um alcoólatra é feito do primeiro gole, eu a alcoólatra das palavras nasci no momento em que me levaram ao conhecimento de minha mãe, que deitada sobre uma maca da maternidade olhara minhas mãos e disse: esta menina vai ser artista, ou música.

Não virei artista, nem cheguei perto dos dotes musicais, mas para desgosto dos pais do bêbado, virei jornalista. Desculpem, é mais forte que eu...